Pesquisadores da Universidade de Warwick registraram um episódio raro do sistema Swift J1727.8−1613 e identificaram que o buraco negro participante não retém toda a matéria que atrai. O estudo, baseado em observações do Very Large Telescope (VLT), mostra que uma parcela significativa do gás roubado de uma estrela companheira é devolvida ao espaço na forma de jatos e ventos.

Quem, o que e onde

O trabalho, liderado por cientistas da Universidade de Warwick com participação de pesquisadores da Universidade da Cidade do Cabo, utilizou o espectrógrafo X-Shooter instalado no VLT, do Observatório Europeu do Sul, para monitorar em detalhe a erupção do sistema ocorrida em 2023. Os resultados foram publicados nesta quinta-feira (30) na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Como foram feitas as observações

Em vez de capturar imagens esparsas, a equipe obteve uma sequência óptica contínua que acompanhou a evolução completa da erupção. Com isso, foi possível estudar a interação entre o disco de material superaquecido ao redor do buraco negro e os fluxos de saída gerados no processo de acreção.

O que os cientistas encontraram

Durante a fase mais intensa da erupção, foi detectado um jato poderoso, ao mesmo tempo em que o disco que alimenta esse jato experimentava alterações notáveis. Surpreendentemente, mesmo após a atividade do sistema cair para cerca de um centésimo do nível de pico, os pesquisadores observaram sinais de que gás denso continuava sendo expelido.

Os autores apontam que, em alguns momentos, o volume de matéria lançado para o espaço pode se aproximar daquele efetivamente absorvido pelo buraco negro. Para o autor principal, Dr. Noel Castro Segura, isso faz com que esses objetos se assemelhem mais a um “sistema digestivo cósmico” do que a um poço sem fundo, já que parte substancial do material capturado é processada internamente e depois ejetada de volta ao meio circundante.

Buraco negro observado expulsando parte da matéria que captura

Imagem: Divulgação

O doutorando Kyle Solomons, da Universidade da Cidade do Cabo, ressaltou que a fase final da erupção manteve intensa atividade: mesmo com emissão de raios X reduzida, o sistema ainda tinha energia suficiente para produzir expulsões consideráveis de gás.

Os autores afirmam que o acompanhamento completo do ciclo de atividade de Swift J1727.8−1613 fornece uma das visões mais detalhadas até hoje sobre como buracos negros capturam matéria, respondem a esse processo e afetam seu entorno.

Com informações de Olhardigital