O BYD Dolphin Mini liderou as vendas no varejo automotivo brasileiro em fevereiro de 2026, com 4.810 unidades emplacadas, quase 1.000 a mais que o segundo colocado, o Volkswagen Tera, que registrou 3.856 emplacamentos, segundo dados da Fenabrave.

O resultado reflete uma estratégia da BYD no país construída ao longo de cerca de três anos: introduzir um elétrico com proposta mais acessível, ampliar rapidamente a linha de produtos, fortalecer canais de venda, consolidar a produção local e preparar espaço para avançar também no segmento premium.

Lançado oficialmente no Brasil em junho de 2023, o Dolphin foi apontado desde o começo como peça central do plano da marca. Em 2024, a BYD apresentou a versão Mini, que se transformou no principal símbolo comercial da ofensiva da empresa no mercado brasileiro.

Desde sua chegada ao mercado, o Dolphin Mini acumulou mais de 62 mil unidades vendidas. Em 2024, foram 21.944 emplacamentos; em 2025, 32.459 unidades; e, no acumulado até fevereiro de 2026, registrou 7.606 vendas, também à frente do Tera, que somou 7.521 no mesmo período.

Reação do mercado

Para Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil, o desempenho de fevereiro demonstra que o consumidor brasileiro adotou a eletrificação mais rapidamente do que a empresa projetava. Segundo ele, a conquista evidencia uma mudança significativa na maturidade do mercado em relação aos veículos elétricos.

Baldy afirma que a presença do Dolphin Mini no topo do ranking é uma ruptura histórica, já que é a primeira vez que um carro elétrico assume a liderança de vendas no varejo no Brasil. Ele também destaca que a estratégia da BYD tem mostrado que o veículo elétrico deixou de ser mera promessa e passou a ser uma solução amplamente escolhida pelos consumidores.

Participação de mercado e canais

Além da liderança do Mini, o Song ficou em 4ª posição entre os mais vendidos no varejo em fevereiro, com 3.167 unidades. No ranking de veículos de passeio no varejo, a BYD alcançou 13,47% de participação, ocupando o segundo lugar entre as marcas. Considerando as vendas diretas, a empresa ficou em 5º lugar no mercado total pelo segundo mês consecutivo, com 7,95% de participação.

Baldy apontou a expansão das vendas diretas para pequenas empresas como componente importante da estratégia, lembrando que esse canal representa cerca de 25% a 26% do mercado, enquanto as locadoras respondem por 24% a 25%. Parte dessa movimentação inclui um acordo com a Localiza&Co para a compra de 10 mil veículos híbridos e elétricos da BYD nos próximos dois anos, envolvendo os modelos Song Plus, Song Pro, Dolphin e Dolphin Mini.

Imagem: Divulgação

Fábrica na Bahia

O avanço industrial também é elemento central. Em julho de 2025, saiu dos testes o primeiro Dolphin Mini 100% elétrico produzido no Brasil. A fábrica de Camaçari (BA), primeira planta da BYD fora da China e a primeira no país dedicada a elétricos e híbridos, recebeu investimento de R$ 5,5 bilhões, ocupa 4,6 milhões de m² e tem capacidade inicial para 150 mil veículos por ano, com previsão de chegar a 300 mil na segunda fase.

No momento, a produção opera em regime SKD (Semi Knocked Down), com montagem intermediária no país, e a empresa planeja avançar para produção completa, incorporando estampagem, soldagem e pintura para elevar o conteúdo local. Na linha de montagem brasileira estão o Dolphin Mini, o Song Pro e o King.

Centro de testes e portfólio premium

A BYD anunciou ainda a criação do primeiro Centro de Testes e Avaliação Automotiva no Brasil e uma Plataforma de Experiência e P&D no Rio de Janeiro, com investimento de R$ 300 milhões. O complexo será instalado na área do Aeroporto do Galeão, em um terreno de 183.861 m²; as obras começam no fim de 2026 e a inauguração está prevista para 2028. O espaço terá foco em validação de veículos em uso real e priorizará inovações relacionadas à mobilidade futura, incluindo direção autônoma.

Paralelamente, a marca ampliou sua atuação no segmento premium em 2026 com a chegada da Denza, que estreou no país com três modelos: o SUV híbrido off-road B5, o Z9 GT e a van executiva D9. A BYD não descarta a possibilidade de produzir modelos da Denza em Camaçari, dependendo da aceitação do mercado. No início de março de 2026, a montadora também lançou o Atto 8, SUV híbrido plug-in de luxo com sete lugares, tração integral e conjunto de dois motores elétricos mais um motor a combustão.

Em termos históricos, em fevereiro de 2024 a BYD ocupava a 10ª colocação entre as marcas mais vendidas no país, com pouco mais de 3% de participação; um ano depois, no mesmo período, passou a 9ª posição com pouco mais de 5%. Agora, com um elétrico na liderança do varejo, a empresa se aproxima das montadoras tradicionais. Baldy reafirma a ambição da companhia de buscar a liderança geral em vendas no Brasil até 2030.

Com informações de Forbes