Pesquisas recentes indicam que custos relacionados à carreira, perspectiva financeira e insegurança no mercado de trabalho têm levado muitas mulheres jovens a postergar a maternidade e, em alguns casos, a priorizar o desenvolvimento profissional em detrimento da formação de família.

Conselhos para adiar a maternidade e impacto na carreira

Uma sondagem da Zety com 1.000 mães trabalhadoras nos Estados Unidos mostrou que 76% receberam orientações para deixar a maternidade para depois, quando a carreira estiver mais consolidada, e 57% afirmaram ter efetivamente adiado a gravidez por esse motivo. A especialista em carreiras da Zety, Jasmine Escalera, afirma que esse tipo de recomendação reflete uma cultura laboral que força a escolha entre objetivos profissionais e vida pessoal.

O estudo também documenta obstáculos enfrentados pelas mães no emprego: 84% relataram que a gravidez foi percebida como um incômodo no trabalho, 81% foram pressionadas a voltar da licença-maternidade mais cedo e 87% disseram que a maternidade afetou negativamente suas trajetórias profissionais. Além disso, 59% afirmaram que a maternidade alterou sua trajetória de carreira e 31% buscaram empregos com mais flexibilidade ou carga horária reduzida. Metade das entrevistadas optou por não ter mais de um filho devido às dificuldades profissionais após o primeiro, e 37% adiaram ter mais filhos pelo mesmo motivo.

Geração Z e a prioridade na independência financeira

Outra pesquisa, realizada pela EduBirdie com 2.000 mulheres entre 20 e 28 anos, revela que 59% colocam sucesso profissional e estabilidade financeira acima de encontrar um parceiro ou formar família. Do total, 88% se consideram ambiciosas, 25% sentem que precisam escolher entre ambição e vida amorosa, e 30% disseram que não querem ter filhos no futuro ou não têm certeza.

Segundo Ksenia Hubska, líder de dados da EduBirdie, muitas jovens da Geração Z veem a autonomia financeira como pré-requisito para considerar a constituição de família e preferem não depender de um parceiro para suporte econômico. A pesquisa também aponta que 48% citam estresse financeiro como preocupação central, 11% já congelaram ou planejam congelar óvulos e 20% estão economizando para esse fim. Além disso, 71% admitiram julgar negativamente quem depende financeiramente de terceiros, e um terço disse que não recorreria a um ente querido em caso de emergência.

Desvantagens estruturais e desempenho das empresas

Relatórios sobre políticas corporativas apontam que os Estados Unidos ficam atrás de muitas economias avançadas na promoção da igualdade de gênero no trabalho. Em um ranking da Equileap entre 16 economias avançadas, os EUA aparecem na penúltima posição, acima apenas do Japão. A avaliação considerou 21 indicadores, incluindo presença feminina em cargos de liderança, disparidade salarial, proteção contra assédio, flexibilidade e políticas de licença parental.

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Clara Sánchez, da Denominator, observa que parte da queda relativa das empresas americanas se deve ao aumento do nível necessário para entrar nas 100 melhores e também ao declínio das pontuações de igualdade de gênero das próprias companhias dos EUA. No ranking citado, a Espanha liderou com média de 60 em 100, seguida pela França (59); Itália e Noruega empataram em terceiro (58). As empresas americanas apresentaram média de 45, ligeiro avanço em relação aos 44 de 2025.

O levantamento da Denominator também relaciona políticas de licença parental a resultados financeiros: empresas que oferecem pelo menos 14 semanas de licença parental remunerada teriam receitas 21% maiores, capitalização de mercado 13% superior e lucros líquidos 9% maiores. Sánchez destaca que, em um país sem licença parental obrigatória e sem garantias estatais fortes de segurança no emprego, é compreensível que muitas mulheres reconsiderem a decisão de ter filhos.

Os dados compilados nas pesquisas mostram uma combinação de fatores individuais e estruturais que influenciam a decisão de adiar a maternidade: desde recomendações recebidas no ambiente profissional até a busca por estabilidade financeira e a avaliação das políticas corporativas e nacionais que afetam a compatibilização entre carreira e família.

Com informações de Fastcompanybrasil