O impedimento de Thomas Partey no Canadá e a posterior liberação do volante para atuar nos Estados Unidos expuseram divergências nas políticas de imigração entre os países que recebem a Copa do Mundo de 2026. O jogador de Gana teve a entrada negada em solo canadense, o que o impediu de estrear na partida contra o Panamá em Toronto, e foi liberado dias depois para participar do jogo contra a Inglaterra nos EUA.

As autoridades canadenses justificaram a recusa apontando informações falsas no pedido de visto de Partey e também que o atleta responde a um processo no Reino Unido. Em razão da negativa, o jogador não foi aproveitado na partida contra o Panamá. Já nos Estados Unidos, não houve impedimento — Partey entrou no país e atuou normalmente na partida contra a Inglaterra, sem restrições registradas.

Autonomia legal dos países-sede

O episódio reforça a dificuldade de coordenar um torneio com sedes em mais de um país, já que, apesar de haver acordos com a FIFA, cada nação mantém autonomia sobre suas leis migratórias. O advogado Cristiano Cáus, especialista em direito desportivo, ressaltou que “a soberania estatal e as leis de imigração de cada país sempre estarão acima de qualquer regulamento esportivo”.

A decisão tomada pelo Canadá gerou reação do governo de Gana, que classificou o veto como injusto e destacou que as acusações contra Partey ainda não foram julgadas. Após a liberação para entrar nos Estados Unidos, o jogador comentou brevemente sobre o episódio: “Acontecem coisas que você não consegue controlar. Agora estou pronto para jogar”.

Comparação com restrições impostas ao Irã

O caso também foi comparado ao tratamento dispensado à seleção do Irã na competição. A equipe iraniana enfrenta limitações mais rígidas ao entrar nos Estados Unidos, podendo ingressar apenas 24 horas antes das partidas e devendo deixar o país imediatamente após os jogos, situação que reflete tensões políticas entre as nações envolvidas.

Caso Thomas Partey evidencia diferenças de regras entre países-sede da Copa de 2026

Imagem: Foto por BUDA MENDES / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Especialistas e análises jurídicas indicam que decisões desse tipo são influenciadas por interesses diplomáticos e medidas de segurança adotadas por cada país, o que limita a ideia de neutralidade total em competições internacionais. Com as diferentes legislações e contextos políticos dos países-sede, há expectativa de que situações semelhantes possam ocorrer novamente e afetar atletas, delegações e a logística do torneio, inclusive em edições futuras como a Copa do Mundo de 2030.

Com informações de Gazetaesportiva