Levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e repercutido pela Agência Brasil aponta que, entre 2014 e 2024, os diagnósticos de câncer de pele no país saltaram de cerca de 4 mil para 72 mil, o que representa um crescimento de 1.500% em dez anos.

Especialistas consultados relacionam a alta a fatores demográficos e comportamentais. O envelhecimento da população é citado como um dos elementos responsáveis, já que o aumento da expectativa de vida expõe a pele à radiação solar por mais tempo. Dados do DATASUS mostram que, entre 2018 e 2023, os registros foram mais frequentes na faixa etária de 70 a 79 anos.

Onde e entre quem a doença mais aparece

A maior concentração de casos ocorre nas regiões Sul e Sudeste, regiões com maior proporção de pessoas de pele clara, grupo mais vulnerável ao câncer cutâneo. O professor Bruno Fantini, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, ressalta que o acesso mais fácil e rápido a exames nessas áreas também contribui para o maior número de diagnósticos registrados.

Estudos citados pela SBD e publicações com base em DATASUS indicam ainda que os homens são responsáveis por 52% dos casos, o que leva especialistas a apontarem baixa adesão às medidas preventivas entre o público masculino como fator relevante para a incidência.

Prevenção e orientações

Segundo recomendações médicas, as principais medidas de prevenção incluem o uso correto e frequente de protetor solar e roupas protetoras. A orientação da SBD e de especialistas como o Dr. João Duprat, líder do Centro de Referência em Tumores Cutâneos do A.C.Camargo Cancer Center, é aplicar e reaplicar o protetor solar a cada duas horas ao longo do dia, especialmente durante atividades físicas intensas ao ar livre. Uso de sombra, bonés e roupas de proteção também são indicados.

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Na última década, o câncer de pele foi responsável por mais de 30 mil mortes no Brasil. Para reduzir essa estatística, Bruno Fantini defende políticas públicas que incluam ensino sobre proteção solar nas escolas, maior rapidez no encaminhamento a dermatologistas para permitir diagnóstico precoce e campanhas de prevenção estendidas ao longo de todo o ano, e não apenas durante o verão.

O aumento expressivo nos diagnósticos e as recomendações de prevenção destacam a necessidade de ampliar a adesão a cuidados básicos e o acesso a serviços de saúde especializados.

Com informações de Olhardigital