Quem e o quê: O presidente da China, Xi Jinping, afirmou nesta sexta-feira (17) que Pequim pretende liderar a formulação de uma nova ordem global para a inteligência artificial (IA), defendendo especialmente modelos de código aberto como bem público internacional.

Quando e onde: Em discurso de abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), realizada em Xangai entre 17 e 20 de julho, Xi fez a declaração diante de líderes, representantes de empresas de tecnologia e autoridades estrangeiras.

Como e por que: Xi conclamou países a aproveitarem a “rara oportunidade histórica” oferecida pela IA de código aberto e prometeu apoio a nações em desenvolvimento para ampliar suas capacidades tecnológicas, alertando que o acesso desigual à tecnologia pode gerar “novas injustiças históricas”. O presidente também defendeu que sistemas de IA permaneçam sob controle humano e pediu mecanismos internacionais de alerta e resposta para lidar com riscos decorrentes da tecnologia.

No pronunciamento, Xi comparou a importância da IA a marcos do passado, como a máquina a vapor e a eletricidade, e anunciou a intenção da China de partilhar tecnologia e conhecimento com países do Sul Global, além de participar ativamente da elaboração de padrões internacionais para regulamentar a área.

Também foram mencionadas iniciativas práticas: a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), criada pela China, passou a contar com 29 países membros em 16 de julho, e o governo chinês prometeu oferecer programas de capacitação e estabelecer centros de cooperação em IA com os países do BRICS, da Asean, da América Latina e da União Africana, reforçando uma estratégia de expansão de influência tecnológica junto ao Sul Global.

No mesmo dia, a startup chinesa Moonshot AI apresentou o Kimi K3, que a empresa descreveu como o maior modelo de IA de código aberto do mundo em número de parâmetros. O anúncio ocorreu cerca de um mês após os Estados Unidos restringirem a exportação dos modelos mais avançados da Anthropic, por motivos de segurança.

Imagem: Ap

A abertura da WAIC contou com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres, do presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, e do primeiro-ministro da Tailândia, Anutin Charnvirakul. O evento ocorre em um momento de competição entre Pequim e Washington sobre como devem ser definidas as regras globais da IA; enquanto representantes dos EUA têm advertido que regulações muito rígidas podem frear a inovação, a China tem promovido modelos de baixo custo e de código aberto como forma de ampliar o acesso.

A conferência servirá tanto como vitrine tecnológica quanto como teste da capacidade chinesa de influenciar normas e padrões internacionais para a inteligência artificial.

Com informações de Valor.globo