O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, anunciou no domingo a intenção de ampliar a abertura econômica do país a empresas estrangeiras e de trabalhar por um comércio exterior mais equilibrado com parceiros internacionais, em reação a um ano marcado por atritos comerciais com Estados Unidos e União Europeia.
Transmissão: Record
O compromisso foi manifestado por Li durante o Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim, encontro anual de dois dias que terminou na segunda-feira e que reúne autoridades chinesas, líderes empresariais estrangeiros, economistas e acadêmicos para apresentar a visão econômica e oportunidades de investimento do país.
Li afirmou que a China pretende importar mais produtos estrangeiros de alta qualidade e cooperar com diferentes atores para promover um desenvolvimento do comércio mais otimizado e equilibrado, ampliando sua participação no fluxo comercial global, informou a mídia estatal chinesa.
O pronunciamento ocorre após a segunda maior economia mundial registrar um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão em 2025, número que tem gerado preocupações entre parceiros comerciais sobre desequilíbrios e excesso de capacidade industrial chinesa.
Em discurso no mesmo fórum, o presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, buscou contextualizar o saldo comercial do país e acalmar temores. “Analisar os desequilíbrios econômicos globais requer olhar não apenas para o comércio de bens, mas também para os serviços, e não apenas para a conta corrente, mas também para a conta financeira”, disse Pan, segundo a transcrição divulgada pelo banco central, acrescentando que a China tem o maior superávit em bens, mas também o maior déficit em serviços. Ele afirmou ainda que a China não tem necessidade nem intenção de obter vantagem competitiva por meio da desvalorização da moeda.
O anúncio de Li surge num momento em que as tensões comerciais com os Estados Unidos vinham conhecendo uma trégua temporária. Na semana anterior, o presidente norte-americano, Donald Trump, adiou uma viagem a Pequim para se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, devido à guerra no Irã, o que atrasou negociações destinadas a aliviar controvérsias bilaterais.
Imagem: Ng Han Guan/Pool via REUTERSLi Qiang faz discurso em fórum de Pequim 22/3/2026
Medidas para atrair investimento estrangeiro
A China também tem enfrentado queda no investimento estrangeiro direto: o fluxo caiu 5,7% em relação ao ano anterior, totalizando pouco mais de 92 bilhões de iuanes (US$ 13,36 bilhões) em janeiro, após uma retração de 9,5% ao longo de 2025. Para reverter essa tendência, em dezembro o governo incluiu 200 setores em uma lista de atividades elegíveis para incentivos ao investimento estrangeiro, com benefícios que vão de isenções fiscais ao uso preferencial de terrenos, priorizando manufatura avançada, serviços modernos, setores verdes e de alta tecnologia.
Li garantiu que empresas estrangeiras receberão tratamento igual ao das nacionais, permitindo que companhias de todos os países atuem com confiança na China. Em reunião à parte, o ministro do Comércio, Wang Wentao, disse a representantes de um grupo farmacêutico dos EUA e a executivos de cinco grandes multinacionais do setor que a China fortalecerá a proteção da propriedade intelectual e ampliará a transparência das políticas.
O fórum serviu, portanto, para Pequim reafirmar a disposição de ajustar políticas comerciais e atrair capital estrangeiro, ao mesmo tempo em que procura responder às críticas sobre desequilíbrios no comércio internacional.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6