Empresas chinesas estão levando humanoides para ambientes do dia a dia — como lojas, fábricas e residências — para coletar dados e treinar máquinas que aprendam a realizar tarefas humanas, segundo reportagem da Bloomberg. A iniciativa, que combina robótica e inteligência artificial em uma abordagem chamada de inteligência incorporada, busca aprimorar a capacidade dos robôs de interagir com o mundo físico.
O que está sendo feito
Nos arredores de Pequim, por exemplo, um braço robótico humanoide foi filmado colocando um pacote de batatas Lay’s em uma prateleira. Em outros locais, trabalhadores gravam atividades simples, como retirar almofadas de um sofá e dobrar lençóis; essas imagens são usadas para aperfeiçoar os sistemas de IA. A indústria chinesa, após atrair atenção com movimentos de artes marciais do modelo G1 da Unitree Robotics, passou a priorizar a capacidade de aprendizado das máquinas.
Quem participa e como
Gigantes como Alibaba e Xiaomi, além de diversas startups, investem em modelos que permitam aos robôs aprender a partir de experiências físicas. A estratégia chinesa difere da aplicada por empresas americanas, que costumam basear-se em dados comprados, simulações e trabalho em países de baixo custo como Índia e Vietnã; na China, a aposta é colocar os próprios robôs em situações reais para gerar aprendizado.
Motivações e metas
Ações do governo e do setor privado apoiam o movimento. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China pretende instalar 10 mil robôs humanoides em fábricas até o fim do ano. Investidores desembolsaram pelo menos 100 bilhões de yuans (cerca de R$ 82 bilhões) no setor em 2025 — valor superior ao aplicado nos cinco anos anteriores. Além disso, foram abertos 64 centros de coleta de dados, com outros 20 em construção, que reproduzem ambientes como supermercados, escritórios, linhas de montagem e residências, com a meta de gerar milhões de horas de aprendizado.
Desafios e comparação internacional
Desenvolver robôs mais inteligentes exige grande volume de dados que capturem movimentos físicos, como segurar objetos frágeis. Jacqueline Du, analista da Goldman Sachs em Hong Kong, afirmou que “as empresas líderes agora estão em torno de 500 mil” horas de dados coletados. Gan Ruyi, chefe de algoritmos da X Square Robot, disse que “é aqui que os EUA não têm nenhuma vantagem”, citando a capacidade chinesa de organizar trabalhadores e implantar máquinas em larga escala.
Imagem: Divulgação
Nos Estados Unidos, empresas como Tesla, Figure AI, Apptronik e Agility Robotics também testam humanoides. A Figure AI demonstrou robôs separando quase 60 mil pacotes durante 50 horas de transmissão ao vivo, com velocidade próxima à de um trabalhador humano. Alguns grupos chineses criticaram o teste por considerarem o ambiente controlado; Ai Wen, diretor de projetos da Agibot, afirmou que “a demonstração da Figure ainda está em um laboratório”, enquanto robôs chineses estariam sendo treinados diretamente em linhas de produção.
Segundo a Bloomberg, o avanço dos humanoides dependerá da capacidade de transformar experiências cotidianas em aprendizado que torne as máquinas progressivamente mais autônomas.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6