A Chocolat du Jour, marca familiar nascida no sul da Bahia e sediada comercialmente em São Paulo, busca mudar o consumo de chocolate no Brasil vinculando a origem do cacau ao produto final e investindo em formação de consumidores. A empresa opera 14 lojas no país, todas abastecidas por uma única fábrica na capital paulista, e tem no horizonte a expansão nacional que passa pela transmissão: educação e de uma possível primeira incursão nos Estados Unidos.

Quem dirige a comunicação e o marketing da marca é Patrícia Landmann, que comanda a transição da empresa junto com o irmão Manoel. A estratégia enfatiza duas frentes: a valorização do cacau fino produzido na Fazenda Santa Luzia, em Ibirapitã (BA), e o esforço contínuo para treinar o paladar do público, mostrando que chocolate de qualidade pode ser fresco e livre de sabores queimados ou aromatizantes.

No processo produtivo, a amêndoa seca chega ao parque industrial em São Paulo, onde a planta tem capacidade para processar 300 quilos de amêndoas por dia. As etapas incluem torra, descascamento, moagem e refino; o grau de refinamento é acompanhado em micras para garantir textura suave no produto final, contraste que a marca usa em degustações para diferenciar seu chocolate artesanal do industrializado.

A criação de sabores fica a cargo de Maria Lúcia Costa Carvalho, formada pela Belas Artes, responsável por transformar inspirações da fazenda em produtos. O portfólio inclui trufas em pelo menos 12 sabores — entre clássicos como champanhe e ao leite crocante e sabores brasileiros como jabuticaba e maracujá — além de barras bean-to-bar em 45%, 70% e 70% com nibs, linha de castanhas, a Choco Pop e o Choco Snack.

A empresa mantém o princípio de produção em pequenos lotes e reposição conforme a demanda, valorizando o conceito de chocolate fresco. Páscoa e Natal são as datas de maior impacto nas vendas, com nível equivalente de representatividade, e o restante do ano tem vendas sustentadas por presentes e consumo cotidiano. Nos últimos quatro anos, a Chocolat du Jour reportou crescimento médio anual de 21% no faturamento, e a produção total de produto final chegou a 100 toneladas no último ano.

Fazenda e cadeia de suprimento

A Fazenda Santa Luzia, adquirida em 2017 por Manoel Landmann em sociedade com o engenheiro agrícola Leonardo Sorice, tem 160 hectares, com cerca de 50% da área preservada com Mata Atlântica. Dos 75 hectares produtivos, o sistema de cultivo combina cabruca e sombra com bananeiras. A propriedade emprega 32 pessoas e atualmente produz 60 toneladas de amêndoas por safra, das quais 22,5 toneladas são classificadas como cacau fino e abastecem exclusivamente a Chocolat du Jour.

A previsão de produção é de 90 toneladas para 2027 e 120 toneladas em 2028, com 70% do volume na categoria fino. O manejo inclui plantio, poda, colheita, quebra, fermentação e secagem em estufa sem aquecimento artificial para preservar os perfis aromáticos; tudo o que não alcança o padrão de cacau fino é destinado ao mercado de commodity.

Chocolat du Jour aposta em educação do paladar e estuda primeira loja nos EUA

Imagem: Divulgação

A integração entre fazenda e fábrica é tratada como peça-chave para controle de qualidade. Antes da Santa Luzia, a empresa trabalhava com as Fazendas Reunidas Vale do Juliana; a transição incluiu investimentos conjuntos em técnicas e protocolos até a migração total para a nova propriedade depois da venda daquela fazenda.

Quanto à internacionalização, a marca estuda a abertura de uma loja em Miami, ainda em estágio inicial, com a intenção de enviar produtos diretamente da fábrica em São Paulo, motivada também pela presença de uma comunidade brasileira significativa na cidade. Até aqui, a expansão foi financiada com capital próprio, sem franquias, e com participação de um sócio-investidor que não atua no dia a dia. Fundos de investimento já demonstraram interesse, mas a empresa optou por não seguir esse caminho por ora.

Os produtos da Chocolat du Jour já receberam prêmios no Academy of Chocolate, em Londres, e no International Chocolate Awards, com reconhecimentos para trufas clássicas e barras bean-to-bar.

Com informações de Forbes