Cientistas identificaram grãos de granada em um fragmento do meteorito NWA 8171, uma rocha originária de Marte que está preservada no Museu Real de Ontário. A presença desse mineral em amostras marcianas não havia sido registrada antes e surpreendeu a equipe responsável pela análise.

O que foi encontrado

O mineral detectado é a granada, identificado em quantidade muito pequena dentro da amostra. Apesar do volume reduzido, a descoberta levantou questões sobre os processos geológicos que podem ter ocorrido no planeta vermelho, já que, na Terra, a granada costuma se formar em condições de temperatura e pressão elevadas.

Onde e como

O fragmento em questão, classificado como brecha basáltica — uma rocha formada quando o magma esfria e incorpora outros minerais — foi submetido a análises detalhadas que revelaram a presença do grão de granada. Pesquisadores comparam esse tipo de rocha a um “bolo de frutas”, por reunir minerais de origens distintas, o que permite registrar eventos geológicos antigos, como impactos ou atividade vulcânica.

Implicações e hipóteses

A origem do mineral ainda não está definida. Uma possibilidade é que a granada tenha se formado em Marte, seja por efeitos de impacto de outro corpo celeste ou por processos magmáticos antigos. Outra hipótese levanta a chance de o mineral ter sido incorporado à rocha após sua formação, vindo de um corpo externo.

A geóloga planetária Tanya Kizovski declarou que “esta descoberta vai expandir nosso conhecimento sobre os processos geológicos possíveis neste planeta”. Outro pesquisador, James Darling, afirmou que o achado “abre uma nova e fascinante janela para a evolução do nosso planeta vizinho”.

Cientistas encontram grãos de granada em meteorito de Marte guardado em museu

Imagem: Divulgação

Próximos passos

A equipe vai investigar os isótopos da granada para tentar determinar sua origem. Se os sinais isotópicos coincidirem com outros materiais conhecidos de Marte, a hipótese de formação marciana se fortalecerá; caso contrário, a proveniência do grão permanecerá em aberto.

O estudo que relata a descoberta foi publicado na revista Geochemical Perspectives Letters.

Com informações de Olhardigital