Pesquisadores conseguiram transformar plantas de tabaco geneticamente modificadas em produtoras de compostos psicodélicos usados em pesquisas terapêuticas. O trabalho, descrito em estudo publicado na revista Molecular Plant, adaptou a Nicotiana benthamiana para sintetizar cinco moléculas originalmente encontradas em cogumelos, anfíbios e outras fontes naturais.

Como foi feito

Segundo o estudo, cientistas inseriram genes provenientes de fungos e de animais no genoma da N. benthamiana. Com essa modificação, o metabolismo vegetal foi reprogramado para seguir novas rotas biossintéticas e gerar precursores e princípios ativos que, antes, só apareciam em espécies raras ou difíceis de cultivar em laboratório.

Em vez de priorizar a produção de nicotina, as folhas passam a funcionar como biorreatores, usando luz e água para fabricar compostos complexos que podem ser extraídos e purificados para uso farmacêutico.

Quais substâncias foram produzidas

A equipe relata a produção de cinco compostos principais, entre eles a psilocibina, além de derivados associados às secreções de anfíbios e outras triptaminas. A lista inclui:

  • Psilocibina
  • 5-MeO-DMT
  • Bufotenina
  • Outras triptaminas

Os pesquisadores destacam que a plataforma vegetal permitiu a síntese completa dessas moléculas dentro das estruturas celulares das folhas modificadas.

Por que usar tabaco

O tabaco foi escolhido porque cresce rápido, é de fácil cultivo e tem genética amplamente mapeada. A grande biomassa foliar facilita a extração dos compostos em ambientes controlados, e o custo de produção em plantas tende a ser menor do que nas rotas químicas tradicionais descritas em estudos comparativos.

Essas características tornam a abordagem atraente para a indústria farmacêutica, pois reduzem a dependência de colheitas silvestres e podem abastecer ensaios clínicos com material padronizado e em maior escala.

Imagem: Divulgação

Aplicações terapêuticas e segurança

Os autores do estudo defendem que os compostos produzidos têm potencial no tratamento de depressão resistente e ansiedade, atuando em receptores de serotonina e favorecendo a neuroplasticidade com efeitos que podem surgir mais rapidamente do que os antidepressivos convencionais.

As plantas modificadas são mantidas em ambientes estritamente controlados para evitar cruzamento com espécies selvagens, e os pesquisadores afirmam que a contenção biológica é prioridade para impedir a dispersão dos genes introduzidos. Eticamente, o projeto também é apresentado como uma alternativa à exploração de organismos silvestres.

O desenvolvimento abre caminho para que a produção sustentável e escalável desses compostos apoie pesquisas clínicas e, possivelmente, a fabricação de medicamentos psiquiátricos no futuro próximo.

Com informações de Olhardigital