O neurologista Majid Fotuhi apresenta cinco práticas que, segundo ele, ajudam a preservar e fortalecer o cérebro ao longo da vida. As recomendações constam em seu livro “The Invincible Brain: The Clinically Proven Plan to Age-Proof Your Brain and Stay Sharp for Life” e foram compartilhadas como estratégias para aproveitar a neuroplasticidade e evitar declínio cognitivo.

O que são os pilares e por que importam

Fotuhi identifica cinco pilares da saúde cerebral: exercício físico regular, sono de qualidade, alimentação favorável ao cérebro, uma mentalidade saudável e desafios cognitivos constantes. Segundo o autor, essas práticas aumentam o fluxo sanguíneo cerebral, reduzem inflamação, elevam proteínas protetoras como o BDNF, estimulam neurogênese e fortalecem conexões entre neurônios, influenciando positivamente o córtex e o hipocampo — estruturas essenciais para funções superiores e formação de memórias.

Casos clínicos: resultados práticos

Fotuhi relata dois exemplos de pacientes que passaram por avaliação chamada Portfólio Cerebral e por um programa de condicionamento cerebral de 12 semanas. Carl, contador aposentado na casa dos 70 anos, apresentava esquecimento, isolamento e sinais que levaram a família a temer Alzheimer. A equipe médica ajustou medicamentos, tratou apneia do sono e depressão, e aplicou sessões de coaching cerebral duas vezes por semana. Ao longo do programa, houve melhora da memória, maior engajamento social e retorno da confiança.

Lisa, professora com mais de 50 anos, procurou atendimento por névoa mental e cansaço cognitivo. A avaliação detectou baixos níveis de ferro, vitamina B12 e vitamina D, que foram corrigidos com suplementação. Integrada ao mesmo programa de 12 semanas, a paciente melhorou energia e memória; ao final, foi capaz de memorizar uma lista de 100 itens, marca que a surpreendeu.

Como ocorre o declínio e como evitá-lo

Fotuhi afirma que o declínio cognitivo não resulta de uma única causa, mas de uma combinação de problemas biológicos, como acúmulos de proteínas tóxicas (placas amiloides e emaranhados de tau), vasos sanguíneos comprometidos, inflamação e acidentes vasculares silenciosos. Entre os fatores que contribuem para a perda de volume cerebral estão estresse crônico, obesidade, diabetes, hipertensão e má qualidade do sono.

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Reserva cerebral e expectativa de manutenção da lucidez

A reserva cerebral, segundo o autor, refere-se ao acúmulo de fatores protetores e à redução daqueles que promovem atrofia do córtex e do hipocampo. Quanto maior essa reserva, maior a probabilidade de manter independência e lucidez em idades avançadas, inclusive nas décadas finais da vida. Fotuhi destaca que seguir os cinco pilares pode ajudar a construir essa reserva e a aumentar a resiliência cerebral mesmo quando há sinais de doença neurodegenerativa.

As propostas do autor enfatizam que o cérebro é plasticamente adaptável: com mudanças no estilo de vida é possível tanto prevenir quanto reverter declínios funcionais observados em pacientes como os descritos.

Com informações de Fastcompanybrasil