A Espanha se tornou bicampeã da Copa do Mundo ao derrotar a Argentina no domingo (19), e a conquista abre espaço para reflexões sobre caminhos a serem seguidos pelo futebol brasileiro, que foi eliminado nas oitavas de final pela Noruega. A campanha espanhola de 2026 e seu modelo de trabalho expuseram diferenças claras em organização, preparação e formação de jogadores.

As cinco lições apontadas

1. Identidade desde as categorias de base
A seleção espanhola apresenta um padrão de jogo definido nas divisões de base, com ênfase no controle de posse e na qualidade do passe desde as categorias infantis. Na campanha de 2026, esse estilo manteve a essência tradicional, mas incorporou velocidade e agilidade trazidas por jovens como Lamine Yamal e Nico Williams.

2. O meio-campo como regulador do jogo
O meio-campo espanhol foi ponto central do time, com atletas preparados para pensar o jogo e ditar o ritmo, na esteira de jogadores como Rodri e Dani Olmo. Em contraste, o Brasil apresentou carência de articuladores, contando com deficiências no setor responsável por organizar a equipe e controlar a partida.

3. Defender-se com a bola
A Espanha sofreu apenas um gol ao longo do torneio, estratégia que não se baseou em retrancas, mas em manter a posse para reduzir as chances adversárias — na final, por exemplo, os espanhóis ficaram com a bola cerca de 60% do tempo. O Brasil, apesar de ter zagueiros de alto nível como Marquinhos e Gabriel Magalhães, teve o sistema defensivo exposto em momentos decisivos.

4. Valorização de quem vem da base
O técnico Luis de la Fuente trabalhou nas categorias de base da Espanha desde 2012 e acabou assumindo a principal, colhendo os frutos desse investimento. Mesmo após perder o ouro olímpico para o Brasil em 2021, De la Fuente manteve respaldo. No Brasil, André Jardine, que venceu De la Fuente na mesma Olimpíada, não foi incorporado à estrutura da seleção principal; a CBF optou por aguardar e, depois do Mundial, renovou o contrato de Carlo Ancelotti até 2030.

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5. Coletivo como suporte ao talento
A seleção espanhola mostrou um grupo coeso e um sistema tático que sustenta as individualidades, permitindo que estrelas como Lamine Yamal se destaquem sem sobrecarga. Já no Brasil existe tendência de depositar a responsabilidade em um ou dois jogadores para decidir partidas, aumentando a pressão sobre essas peças ofensivas.

A vitória espanhola em 2026 coloca em evidência modelos de formação, organização tática e aproveitamento de profissionais que podem servir de referência para ajustes no futebol brasileiro.

Com informações de Forbes