O cometa C/2026 A1, detectado pelo programa amador MAPS em 13 de janeiro, voltou o foco da comunidade astronômica para 2026 ao apresentar trajetória rasante que pode torná-lo um espetáculo ou levá-lo à destruição. A descoberta antecipada permite observações detalhadas sobre a evolução de um “sungrazer” antes de sua passagem periélica prevista para 4 de abril.

Quem: o objeto foi identificado pelo programa MAPS, cujas iniciais referem-se aos astrônomos Alain Maury, Georges Attard, John Parrott e Pascal Signoret.

O que: o corpo, classificado como cometa rasante do Sol, deverá se aproximar a cerca de 160 mil quilômetros da superfície solar, distância em que o aquecimento extremo e as forças de maré podem provocar intensa atividade ou fragmentação completa.

Quando: descoberta em 13 de janeiro; imagens adicionais foram registradas pelo MAPS em 17 de janeiro; periélio estimado em 4 de abril de 2026.

Onde e como observar: caso sobreviva à aproximação, o cometa pode tornar-se visível no hemisfério Sul, aparecendo no horizonte oeste pouco depois do pôr do Sol. Mesmo nas estimativas mais otimistas, o brilho máximo — calculado por alguns astrônomos como até 200 vezes o de Vênus — deve durar apenas algumas horas e ocorrerá muito próximo ao Sol, o que torna a observação direta desafiadora.

Por que importa: a órbita alongada e inclinada do C/2026 A1 sugere ligação com a Família de Kreutz, um conjunto de cometas derivados da fragmentação de um grande progenitor há cerca de 2.500 anos. Membros desse grupo já produziram cometas notáveis, como o Grande Cometa de 1843 e o Ikeya-Seki, este último visível durante o dia em 1965.

Imagem: Divulgação

A detecção com antecedência de quase quatro meses ao periélio é incomum para objetos com trajetórias tão rasantes e cria uma oportunidade rara para acompanhar, em tempo real, sinais de jatos, mudanças na cauda, explosões de brilho ou fragmentação do núcleo. Para cientistas, isso significa dados valiosos sobre a física desses cometas; para amadores, a chance de participar de monitoramento coordenado.

O destino do C/2026 A1 permanece incerto: pode se desintegrar antes de atingir magnitude visível a olho nu, fragmentar-se em vários pedaços ou emergir do periélio como um dos cometas mais brilhantes das últimas décadas. A comunidade científica acompanhará seu comportamento com cautela nas próximas semanas.

Transmissão: Band.

Com informações de Olhardigital