Pesquisadores do Museu de História Natural de Guangxi identificaram uma nova espécie de serpente que emprega a cauda como um falso crânio para afugentar inimigos. A espécie, batizada de Calamaria incredibilis e conhecida como cobra-junco de Guangxi, foi registrada durante levantamento de biodiversidade na Reserva Natural Nacional de Huaping, próxima à fronteira com o Vietnã.

O estudo descrevendo a espécie foi publicado na revista Zoosystematics and Evolution. Segundo o trabalho, trata-se de uma serpente não venenosa, com cerca de 20 centímetros de comprimento, que levanta e movimenta a cauda larga e atarracada quando se sente ameaçada. Essa extremidade apresenta marcações semelhantes às da cabeça verdadeira, o que aumenta o efeito de ilusão perante predadores.

Características da nova espécie

A cobra-junco de Guangxi é predominantemente noturna e de comportamento dócil, preferindo esconder-se entre pedras e sob folhas. Sua pele é formada por pequenas escamas marrons e apresenta sete listras mais escuras que facilitam a identificação da espécie. A alimentação consiste, majoritariamente, de larvas de insetos e de minhocas.

Apesar do hábito de evitar confronto, a espécie desenvolveu esse mecanismo de blefe como estratégia de defesa: ao perceber risco, ergue a cauda do solo e a balança imitando uma cabeça adicional, contando com as semelhanças visuais entre cauda e cabeça para confundir o agressor.

Os pesquisadores ressaltam que a descoberta não é isolada no ano. No início de 2026, equipes científicas identificaram, em uma caverna no Camboja, uma víbora de tom azul-turquesa vibrante e uma cobra voadora, além de lagartixas, milípedes e micromoluscos então desconhecidos pela ciência.

Imagem: Zoossistemática e Evolução

Os autores do artigo afirmam que a Calamaria incredibilis “destaca a diversidade subestimada” dentro da família do réptil e enfatizam o papel da região como um “hotspot importante” de espécies únicas.

A pesquisa amplia o conhecimento sobre a fauna local e sobre as estratégias comportamentais que serpentes pequenas podem adotar para reduzir riscos de predação.

Com informações de Olhardigital