O convite para a coleção da Louis Vuitton apresentada na terça-feira (23), durante a Semana de Moda de Paris, trouxe uma prancha de surfe estampada, sinalizando o tema da temporada. Dias antes, o diretor criativo da marca, Pharrell Williams, divulgou um vídeo que celebrava o oceano e a cultura do surfe, antecipando a ligação entre moda e comunidade costeira no desfile.
No entanto, a proposta de Pharrell foi além da estética: o surfe serviu como ponto de partida para discutir identidade e memória cultural. O diretor usou o material promocional para destacar histórias pouco conhecidas, em especial a do Ebony Beach Club, idealizado em 1957 por Silas White como um espaço sofisticado à beira-mar destinado a famílias negras. Apesar de reunir cerca de 2 mil adesões e atrair nomes como o músico Nat King Cole, o projeto original teve a área desapropriada e nunca chegou a ser inaugurado.
A versão contemporânea do Ebony Beach Club foi resgatada e conduzida pelo californiano Brick Howze, 29 anos, que narrou e dirigiu o vídeo associado à Louis Vuitton. Howze, DJ e fundador do movimento, explicou à Forbes como descobriu a história de Silas White e por que decidiu retomar a iniciativa décadas depois.
Retomada de uma história esquecida
Howze contou que, ao conhecer o projeto de 1957, sentiu incredulidade diante do apagamento histórico e entendeu que o trabalho atual não era uma ideia inédita, mas a continuação de um esforço interrompido. A proposta contemporânea busca transformar a relação de pessoas negras com praias, surfe e espaços aquáticos, promovendo inclusão por meio de ensino de surfe e natação, encontros, torneios e outras atividades consistentes.
Segundo Howze, a representatividade é crucial para tornar as praias ambientes mais inclusivos. Ele afirmou que, além de acesso físico, a presença de pessoas negras na mídia, em marcas ligadas à praia e em posições de liderança é determinante para que comunidades se sintam pertencentes. A mudança, disse, já acontece com a presença crescente de surfistas, fotógrafos, cineastas, atletas e empreendedores diversos que desafiam a narrativa tradicional.
Imagem: Divulgação
Howze também relatou como se conectou a Pharrell: por meio de trabalho voluntário na cidade natal do artista, Virginia Beach, onde ofereceram aulas de surfe às crianças do Yellow Project e promoveram a história local das praias. A colaboração com a Louis Vuitton, destacou, dá visibilidade global a uma trajetória que começou no nível comunitário.
Para Howze, o reconhecimento pela marca representa um marco, mas não o fim da missão. Ele definiu o Ebony Beach Club como um projeto de longo prazo — “para mais de 100 anos” — e afirmou que ainda há muito a ser feito até que crianças negras possam se sentir automaticamente pertencentes a qualquer praia dos Estados Unidos.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6