A NASA mantém uma ampla infraestrutura de observação da Terra para acompanhar a saúde do planeta por meio da Divisão de Ciências da Terra. A rede inclui satélites em órbita, instrumentos instalados na Estação Espacial Internacional (ISS) e centros de processamento no solo, que juntos produzem dados usados para monitorar mudanças climáticas em tempo real.

Quem e o que

A espinha dorsal do monitoramento é o Sistema de Observação da Terra (EOS), formado por satélites em órbita baixa, entre eles as espaçonaves Terra e Aqua, que registram cobertura de nuvens e vegetação. O programa Landsat, em operação há mais de cinco décadas, documenta alterações no uso do solo e ajuda a rastrear o desmatamento.

Missões e tecnologias

Outras missões empregam técnicas especializadas. O GRACE-FO, parceria entre a NASA e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) lançada em 2018, mede variações no campo gravitacional causadas pelo deslocamento de massas de água e pelo derretimento de geleiras, permitindo monitorar mudanças na massa de gelo, aquíferos e oceanos. O satélite SWOT mapeia com precisão inédita rios, lagos e áreas oceânicas.

Para medir temperatura, a agência usa radiômetros infravermelhos que detectam tendências na superfície e no topo da atmosfera. A altimetria por radar das missões Sentinel-6 e Jason registra a elevação do nível do mar causada pelo derretimento de gelo e pela expansão térmica.

Pesquisadores e aplicações

A astrobióloga brasileira Raíssa Estrela, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, participa do processamento dos dados do EMIT. Em entrevista, ela afirmou: “Com essa informação da luz refletida, conseguimos identificar os sinais de vários materiais, desde minerais até a presença de plástico. O plástico reflete a luz em um comprimento de onda muito específico, o que nos permite detectar do espaço onde esse material está acumulado no planeta.”

Estrela ressaltou que o monitoramento orbital auxilia no enfrentamento de crises globais apontadas pela ONU, como a poluição por plásticos — que cresce desde os anos 1970 — e a perda de biodiversidade. Ela lembrou ainda o papel do Brasil: “O Brasil é o país número um em biodiversidade no planeta Terra. Eu acho muito prestigioso vir de um país que tem mais biodiversidade de vida no mundo.”

Como a NASA monitora o clima da Terra com satélites, sensores e supercomputadores

Imagem: Divulgação

Para acompanhar as calotas polares, o ICESat-2 utiliza LiDAR, emitindo pulsos de laser e medindo o tempo de retorno para determinar espessura e variações do gelo com precisão de poucos centímetros.

Processamento, IA e dados abertos

Os dados orbitais alimentam o Centro de Simulação Climática da NASA, em Greenbelt (Maryland), onde supercomputadores processam petabytes por dia para rodar o sistema GEOS, que integra atmosfera, oceanos, solo e gelo. Técnicas de inteligência artificial e aprendizado de máquina aceleram a análise de imagens para identificar incêndios, desmatamento ilegal e eventos extremos.

Toda a base de dados é disponibilizada publicamente na plataforma Earthdata, permitindo que governos, institutos e empresas desenvolvam estratégias de adaptação e resposta aos impactos climáticos.

Com informações de Olhardigital