TRANSMISSÃO: do InvestNews no YouTube | no canal do InvestNews (YouTube) | para Viver de Renda (YouTube)
O interesse pelo Tesouro Direto alcançou níveis recordes no início de 2026. Em janeiro, foram vendidos R$ 12 bilhões em títulos públicos, o maior volume mensal desde a criação do sistema, há quase 25 anos. O cenário que atrai investidores combina alta remuneração na renda fixa, baixo risco de crédito e facilidade de aplicação.
Até meados de fevereiro, a taxa Selic estava no maior patamar desde 2006. Mesmo com o início de cortes pelo Banco Central, tensões geopolíticas — apontadas no mercado como risco de invasão do Irã pelos EUA — seguiram fortalecendo a remuneração dos títulos públicos.
O tema é foco do segundo episódio da série Estratégias para Viver de Renda, do InvestNews, com patrocínio exclusivo do Nubank. A série, apresentada pelo editor-executivo Alexandre Versignassi, terá oito episódios e estreia “nesta quarta-feira (1)” no canal do InvestNews no YouTube.
Tesouro RendA+: desenho e funcionamento
O Tesouro RendA+, lançado em 2023, tem atraído investidores interessados em garantir uma renda futura, como complemento de aposentadoria. Tecnicamente, é semelhante ao Tesouro IPCA+: ambos pagam uma taxa fixa acrescida da correção pelo IPCA. A diferença está na dinâmica de pagamento.
Enquanto o Tesouro IPCA+ devolve principal, juros e correção em uma única parcela no vencimento, o RendA+ distribui esse montante em 240 parcelas mensais ao longo de 20 anos. Em um RendA+ 2040, a primeira parcela ocorre em janeiro de 2040 e a última em dezembro de 2059. Na prática, o RendA+ funciona como um conjunto de 240 Tesouro IPCA+ com vencimentos mensais.
Segundo Catherine Cruz, CIO da Integrity Wealth Management, a estrutura de pagamentos ao longo de duas décadas amplia o efeito dos juros compostos.
Em um exemplo comparativo, dois aportes de R$ 100 mil realizados em fevereiro de 2026 — um em Tesouro IPCA+ 2040 e outro em Tesouro RendA+ 2040 — com taxas reais próximas a 7% ao ano, teriam resultados distintos. No vencimento de 2040, o IPCA+ renderia cerca de R$ 270 mil brutos (aproximadamente R$ 242 mil líquidos após taxas e imposto de renda). Já o RendA+ começaria 2040 pagando cerca de R$ 1,9 mil brutos por mês (cerca de R$ 1,7 mil líquidos), e os 240 pagamentos ao longo de 20 anos somariam aproximadamente R$ 456 mil brutos (R$ 404 mil líquidos).
Educação e prazos mais curtos
O Tesouro Educa+ segue lógica parecida com o RendA+, mas em prazo de cinco anos, sendo indicado para financiar educação. No exemplo dado, para um bebê que entraria na universidade aos 18 anos em 2044, um aporte de cerca de R$ 155 mil, com juros reais em torno de 7% ao ano, asseguraria uma renda mensal bruta de aproximadamente R$ 10 mil durante cinco anos — somando cerca de R$ 600 mil em valores atuais e brutos. Para uma criança já com oito anos, o aporte necessário subiria para R$ 253 mil.
Preservar ou consumir patrimônio
É importante notar que nos títulos como RendA+ e Educa+ a renda mensal inclui amortização do principal, ou seja, parte do valor recebido é a devolução do aporte inicial. Ao final do período de pagamentos, o saldo se esgota. Para quem deseja preservar o capital e receber apenas rendimentos, existem títulos que pagam juros semestrais.
Imagem: Divulgação
Um Tesouro IPCA+ com juros semestrais paga somente os cupons de juros duas vezes por ano e mantém o principal investido e corrigido. Em um exemplo citado, um investimento de R$ 100 mil em um título com vencimento em 2045 geraria cerca de 6% ao ano, divididos em cupons semestrais de 2,95% — aproximadamente R$ 3 mil brutos a cada seis meses. No início de 2026, a remuneração do IPCA+ com juros semestrais está acima de 7% ao ano, mas os cupons permanecem em 2,95% por semestre, com a diferença sendo incorporada ao principal.
Há também títulos prefixados com pagamentos semestrais, que costumam oferecer juros maiores — na ordem de 14% ao ano — mas sem proteção contra a inflação.
Vantagens e limitações
Títulos com juros semestrais preservam o principal, mas reduzem o efeito dos juros compostos, tornando-se menos eficientes para quem ainda acumula patrimônio e mais adequados para quem já usufrui da renda, observa Patrícia Whitaker, diretora de investimentos do Nubank. Além disso, cupons pagos periodicamente exigem gestão do fluxo e sofrem desconto do Imposto de Renda a cada pagamento, reduzindo a eficiência tributária em comparação a um pagamento único no vencimento.
Uma estratégia prática é montar um “cardápio” de títulos com vencimentos em meses diferentes para criar fluxo de caixa regular. Com R$ 300 mil divididos entre três papéis — dois atrelados à inflação e um prefixado — é possível obter pagamentos em janeiro, fevereiro, maio, julho, agosto e novembro, segundo Marília Fontes, da Nord Investimentos.
Um alerta final: todas as simulações pressupõem que o dinheiro permaneça aplicado até o vencimento. Saques antecipados podem resultar em perdas, já que as condições e retornos são garantidos apenas enquanto os títulos forem mantidos até o fim.
A série Estratégias para Viver de Renda pode ser acompanhada no YouTube do InvestNews e no site. O terceiro episódio abordará como títulos privados podem gerar renda passiva.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6