Uma equipe da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) investigou como prédios com mais de 120 metros influenciam o clima em áreas urbanas, constatando que a configuração das construções pode criar microclimas muito distintos do ambiente fora da cidade. O estudo, realizado em trechos de Balneário Camboriú (SC), mostra que esses edifícios formam “cânions urbanos” que alteram vento, insolação e sensação térmica nas ruas.
Medida do impacto: o Fator de Visão do Céu (SVF)
Os pesquisadores usaram o Fator de Visão do Céu (SVF) para quantificar quanto do céu é visível a partir do nível da rua, indicador que influencia a recepção de radiação solar durante o dia e a perda de calor à noite. As medições foram feitas com câmeras de campo amplo de 238 graus e sensores de alta resolução. Em seguida, os dados foram processados com o software RayMan Pro para traçar o percurso solar entre os prédios.
Os resultados revelaram bloqueios significativos do horizonte em locais muito estreitos. No ponto identificado como Emasa, por exemplo, os edifícios cobrem 78,9% do horizonte, cenário que favorece o aprisionamento do calor e reduz a troca de ar com camadas superiores.
Além disso, a pesquisa comparou a duração da insolação entre trechos: enquanto bairros com configuração mais aberta chegam a receber cerca de 11 horas de sol, os corredores formados por edifícios altos registraram apenas 4 horas e 40 minutos de insolação. Essa diferença altera tanto o aquecimento matinal quanto o resfriamento noturno das vias.
Efeito Parede, cânion urbano e blindagem do ar
O estudo descreve três fenômenos que combinados comprometem o conforto térmico nas ruas: o chamado Efeito Parede, quando uma sequência contínua de prédios impede a entrada do vento; o Cânion Urbano, caracterizado por ruas estreitas cercadas por edificações altas, que retém o calor do asfalto e dos veículos; e a Blindagem do Ar, que provoca bolsões de ar quente por falta de mistura com camadas mais frias.
As observações foram realizadas com Estações Meteorológicas Automáticas e sensores posicionados a 1,5 metro do solo, altura representativa da percepção humana. Para conferir robustez estatística, os pesquisadores empregaram o método Bootstrap em Python e ajustaram índices de conforto térmico (PET e UTCI) para a realidade do litoral sul do Brasil.
Imagem: Divulgação/Prefeitura Balneário Camboriú
Orla versus interior
Os resultados mostram diferença marcante entre trechos em frente ao mar e locais afastados. Na orla, a ventilação marítima proporciona sensação mais agradável mesmo sob insolação direta. Já a apenas 200 metros para o interior, a obstrução do vento por prédios pode elevar a sensação térmica de forma expressiva — em alguns pontos os valores percebidos chegaram a 40,0 °C.
O estudo reforça a importância de considerar ventilação e abertura entre edificações no planejamento urbano para reduzir bolsões de calor e melhorar o conforto nas ruas.
Com informações de Canaltech

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6