A psicoterapeuta e autora de best-sellers internacionais Amy Morin relata como conseguiu retornar ao trabalho após a morte inesperada do marido e apresenta três estratégias que, segundo ela, ajudam a manter o emprego mesmo em meio ao luto. Morin conta que, dois meses após o falecimento do cônjuge — que tinha 26 anos —, precisou enfrentar a rotina profissional depois de um período inicial de afastamento.

Segundo a terapeuta, ela passou por três dias de licença por luto e, em seguida, recebeu o diagnóstico de “transtorno de estresse agudo”, o que garantiu mais dois meses de afastamento por invalidez de curto prazo. Ainda assim, as obrigações financeiras e a necessidade de retomar atividades fizeram com que ela tivesse de voltar ao trabalho antes de sentir-se totalmente recuperada.

Morin descreve a cena do retorno: sentada no carro em frente a um centro comunitário de saúde mental, questionou se conseguiria atravessar a porta onde trabalha — ponto de partida para as táticas que adotou naquele dia e que passou a usar rotineiramente.

1. Reserve um horário para se preocupar

A primeira estratégia foi estabelecer um período fixo diário para se ocupar das preocupações. Morin recomenda destinar cerca de 15 minutos, sempre no mesmo horário e local, para permitir que a mente “vá onde quiser” durante esse intervalo. A ideia é reduzir a intrusão de pensamentos ansiosos no restante do dia: quando surge uma preocupação fora desse horário, a orientação é anotar mentalmente que será tratada na “janela de preocupação”. Pesquisas citadas por ela indicam que tentar suprimir pensamentos tende a torná-los mais frequentes e intrusivos.

2. Inverta o roteiro

Quando a ansiedade aparece de forma imediata — antes de uma reunião ou durante uma apresentação — Morin sugere “inverter o roteiro”: substituir cenários catastróficos por cenários mais otimistas, ainda que improváveis. Por exemplo, lembrar-se de que, assim como ser demitido aleatoriamente é pouco provável, ser recompensado inesperadamente também é uma possibilidade. A técnica tem como objetivo interromper a espiral de pensamentos negativos que pode afetar o desempenho profissional.

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3. Use um “meio sorriso”

A terceira tática consiste em adotar um sorriso sutil, apenas elevando ligeiramente os cantos da boca, o suficiente para gerar um feedback positivo ao cérebro. Morin afirma que, mesmo sem vontade de sorrir, esse gesto pode reduzir a ativação do sistema nervoso e facilitar a recuperação de um estado emocional mais estável. Estudos mencionados por ela apontam que expressões faciais intencionais podem influenciar respostas fisiológicas, como a frequência cardíaca, durante a recuperação do estresse.

Na avaliação da terapeuta, o retorno ao trabalho foi possível ao adotar uma série de “jogadas” práticas, focando no passo seguinte em vez de antever todos os problemas futuros. Ela afirma que não é preciso esperar estar completamente pronto para retomar funções: basta ter uma próxima ação para atravessar o dia, uma jogada de cada vez.

Com informações de Fastcompanybrasil