O Complexo do Pecém concentra uma carteira de investimentos superior a R$ 295 bilhões, tornando-se peça central para a transformação econômica do Ceará e um dos principais polos de desenvolvimento do Nordeste. A direção desse novo ciclo está a cargo do presidente Max Quintino.

Segundo a administração do complexo, os projetos em andamento impactarão tanto a geração de empregos quanto a inserção internacional do estado. Os aportes são esperados para criar milhares de postos de trabalho e estabelecer uma matriz produtiva baseada em tecnologia, energia limpa e infraestrutura logística de alto nível, apoiada pelo Porto do Pecém.

Megaprojeto de data centers

Um dos maiores investimentos previstos é o polo de data centers, com volume total estimado em R$ 200 bilhões. A ByteDance, controladora do TikTok, lidera a primeira fase com aporte de R$ 66 bilhões, atualmente em obras e com previsão de início de operações em 2028. O projeto deve gerar cerca de 16 mil empregos diretos, 39 mil empregos indiretos e R$ 55 bilhões em exportação de serviços, consolidando o Ceará como um polo global de processamento de dados.

A escolha do estado para sediar o complexo de data centers levou em conta três atributos considerados estratégicos: oferta competitiva de energia renovável, alta conectividade internacional por cabos submarinos em Fortaleza e a existência da Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

Transição energética e logística

O Hub de Hidrogênio Verde (H²V) figura como outro eixo relevante, com sete pré-contratos assinados por grandes empresas internacionais e investimento previsto em R$ 66 bilhões. A implantação está prevista para 2027, com início das operações em 2029, posicionando o Ceará na economia de baixo carbono.

Na área logística, o novo terminal da Transnordestina Logística S.A. deve ser inaugurado no segundo semestre do próximo ano e receberá R$ 1,3 bilhão. A expectativa é movimentar seis milhões de toneladas já no primeiro ano e alcançar 28 milhões ao longo dos anos seguintes, inicialmente apenas em grãos, com ampliação para outros produtos.

Outros projetos incluem o Terminal de Gás do Nordeste, estimado em R$ 1 bilhão, com operação prevista para 2030 e movimentação anual de 500 mil toneladas; o Terminal de Tancagem, com R$ 600 milhões e início das atividades previsto para março do próximo ano; e o Píer Zero, com aporte adicional de R$ 430 milhões.

Imagem: Divulgação

Também está previsto investimento de R$ 6 bilhões em uma usina termelétrica a GNL, cuja função será abastecer indústrias instaladas no complexo — entre elas a ArcelorMittal — e servir como âncora para atração de novos empreendimentos.

Com a soma desses projetos, as autoridades afirmam que o Ceará passa a combinar indústria pesada, economia digital, infraestrutura logística de padrão internacional e protagonismo na agenda ESG, além de contar com a participação da Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte, no transporte de peças vindas do exterior.

O conjunto de iniciativas no Pecém é apresentado como uma estratégia de longo prazo para transformar o estado em uma plataforma global de negócios, inovação e energia limpa, com reflexos na competitividade e no desenvolvimento regional.

Com informações de Portalin