Os recentes confrontos no Oriente Médio, que culminaram na guerra entre os Estados Unidos e o Irã, provocaram alta no preço do petróleo e elevação das taxas de juros futuras, resultando em perdas para fundos multimercado que vinham registrando desempenho superior ao CDI no início do ano.
No começo do ano, multimercados mostravam recuperação e atraíam investidores após um período de fortes resgates e rentabilidade menor. No entanto, a escalada do conflito alterou esse cenário e reacendeu dúvidas sobre a atratividade desses fundos.
Como os multimercados funcionam na carteira
Os fundos multimercado combinam diferentes classes de ativos, o que tende a reduzir a correlação com a bolsa e outros investimentos tradicionais, contribuindo para diminuir a volatilidade do portfólio. Um exemplo prático ilustra essa função.
Considerando uma carteira com 60% em BOVA11 (ETF que segue o Ibovespa) e 40% em um produto pós-fixado que replica 100% do CDI, o retorno médio em 12 meses seria de 25,8%. Com volatilidade do Ibovespa de 16,4% nos últimos 12 meses, essa carteira apresentaria volatilidade total próxima de 11%.
Em outra simulação, uma carteira com 50% BOVA11, 30% em título pós-fixado e 20% em multimercado — levando em conta que a média dos multimercados foi de 13,2% nos últimos 12 meses, segundo o IHFA — teria retorno de 23,5%. Como a maioria dos multimercados apresenta volatilidade entre 6% e 8% (alguns perto de 5%), a volatilidade total dessa carteira cairia para cerca de 7%.
Essa redução de volatilidade impacta a experiência do investidor: um capital de R$ 10 mil numa carteira com volatilidade de 11% pode cair para perto de R$ 8.900 em momentos de estresse, exigindo alta de cerca de 12,4% para recuperar o valor inicial. Em uma carteira com volatilidade de 7%, a queda seria para cerca de R$ 9.300, demandando recuperação de 7,5%.
Desempenho recente e fatores que explicam as perdas
Os multimercados não são recomendados para horizontes curtos; janelas de 3 a 5 anos são mais apropriadas. Nos últimos seis meses, esses fundos acumulam alta média de 2,3%, contra 7,2% do CDI. Contudo, até o dia 27 de fevereiro, data em que começou a guerra dos EUA contra o Irã, os fundos haviam subido 7,6% frente a 6,2% do CDI.
Imagem: Divulgação
Pedro Rudge, diretor da Anbima, afirma que muitos gestores estavam com posições otimistas e não previam uma guerra iminente nem a volatilidade do petróleo e seus efeitos sobre juros e inflação. O consenso de mercado previa o barril de petróleo estabilizado perto de US$ 80; após o conflito, o preço da commodity disparou, prejudicando fundos com posições vendidas (short).
Além disso, apostas em títulos prefixados, feitas quando se esperava início do ciclo de queda de juros, sofreram com a reprecificação das taxas. As expectativas para a Selic ao fim de 2026 passaram de 12,13% há quatro semanas para 12,50% no Boletim Focus divulgado na última segunda-feira (23), o que elevou as taxas e desvalorizou prefixados. O quadro só não foi pior devido a recompras expressivas de títulos pelo Tesouro para fornecer liquidez e corrigir disfunções de preços.
Com a maior aversão ao risco, o trabalho dos gestores para reconquistar investidores deve se intensificar. Resgates continuam no radar e a volta de fluxos dependerá da retomada de retornos e de fatores macroeconômicos, como a esperada redução da Selic.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6