Os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã no sábado (28), que, segundo relatos, mataram o líder supremo Ali Khamenei, e a resposta iraniana com disparos de mísseis contra Israel e ataques a bases americanas e a aliados como os Emirados Árabes Unidos reacenderam o risco de uma ruptura no fornecimento de energia global. Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades iranianas.
Na manhã desta segunda-feira (2), os preços do petróleo reagiram ao conflito: o barril subiu perto de 8% depois que os ataques de retaliação interromperam o transporte marítimo no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para exportações da região.
O Estreito de Ormuz é a principal via de saída do Golfo Pérsico para a maioria dos exportadores locais. Para produtores como Iraque, Kuwait e Catar, praticamente toda a exportação marítima de petróleo e gás depende dessa rota. Apenas Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos dispõem de oleodutos que contornam parcialmente o estreito, mas eles conseguem escoar apenas uma fração do volume total.
Um estudo do Grupo Mirabaud aponta que dois terços do petróleo que atravessa a região são destinados a grandes importadores, incluindo China, Coreia do Sul, Japão, Singapura e Índia. Segundo Andressa Durão, economista do ASA, um bloqueio curto tende a ter efeito limitado, já que empresas podem antecipar embarques, usar estoques e buscar rotas alternativas. Se a interrupção durar meses, porém, os estoques podem se esgotar, as rotas alternativas se tornarem insuficientes e a oferta global cair.
A OPEP+ concordou em aumentar a produção em 206 mil barris por dia, acima dos 137 mil barris por dia inicialmente previstos, como tentativa de mitigar um eventual choque de oferta, mas especialistas afirmam que a medida não foi suficiente para conter a alta dos preços.
O aumento dos riscos geopolíticos também afetou o comportamento dos investidores. Adam Hetts, diretor global de multiativos e gestor de portfólio da Janus Henderson Investors, afirmou que a incerteza amplia aversão ao risco, favorecendo títulos soberanos de mercados desenvolvidos e moedas consideradas refúgio seguro, como os títulos do Tesouro dos EUA.
Em cenário de incerteza prolongada, uma elevação sustentada do preço do petróleo poderia elevar o risco inflacionário global e reduzir a probabilidade de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve previstos para o fim do ano.
Nos mercados, os futuros do petróleo Brent chegaram a subir cerca de 13%, alcançando US$ 82,37 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos EUA registrou alta intradiária de mais de 12%, atingindo US$ 75,33 por barril — patamar mais alto desde junho. Apesar da volatilidade, os preços recuaram em relação a previsões que apontavam cerca de US$ 90 por barril.
Imagem: Nikolas Kokovlis/NurPhoto / Getty Images
Por que o Estreito de Ormuz é crítico
Diariamente, cerca de 21 milhões de barris de petróleo e derivados — aproximadamente 30% do consumo mundial — e um terço do gás natural liquefeito global transitam pelo Estreito de Ormuz. A Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) descreve a região como “o ponto de estrangulamento de petróleo mais importante do mundo”, devido à falta de rotas alternativas viáveis.
O canal tem 34 km de largura no ponto mais estreito e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Ao norte está a costa iraniana; ao sul, os Emirados Árabes Unidos e um enclave omanense. O tráfego é organizado em dois corredores pela Organização Marítima Internacional, cada um com cerca de 3 km de largura, o que limita o espaço de navegação e aumenta o risco de interrupções.
A geografia da região confere ao Irã influência significativa sobre o tráfego marítimo, já que a maior extensão da costa ao norte do estreito pertence ao país persa.
O estreito e suas rotas são, portanto, pontos sensíveis cujas perturbações pressionam os mercados de energia globais e elevam o risco de choques de preços.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6