O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) protagonizam um confronto público desde que Zema divulgou, em 1º de março, um vídeo de caráter satírico que mostra o ministro supostamente pedindo favores a Dias Toffoli durante o episódio envolvendo o Banco Master.

Na segunda-feira (20), Gilmar Mendes apresentou uma representação ao ministro Alexandre de Moraes solicitando investigação do pré-candidato à Presidência. No documento, o ministro apontou indícios de prática criminosa relacionados à publicação de Zema. Alexandre de Moraes requereu antes um posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR) para avaliar a eventual inclusão do ex-governador no inquérito das fake news.

O material compartilhado por Zema mostra dois bonecos estilizados como fantoches, identificados como Dias Toffoli e Gilmar Mendes. No trecho reproduzido nas redes, Toffoli liga para Gilmar pedindo que ele anule quebras de sigilo referentes à sua empresa, medida aprovada pela CPI do Crime Organizado do Senado.

Repercutindo a iniciativa do ministro do STF, parlamentares da oposição na Câmara anunciaram a intenção de protocolar um pedido de impeachment contra Gilmar Mendes. A ação é articulada pelo deputado federal Gilberto Silva (PL-PA) e surge após o pedido de inclusão de Zema no inquérito sobre desinformação.

Zema compara ministros à coroa portuguesa

No dia seguinte à representação, que coincidiu com as comemorações da Inconfidência Mineira, Zema publicou novo conteúdo crítico ao STF, equiparando os ministros e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à antiga Coroa Portuguesa. Em trecho da postagem, o ex-governador afirmou não considerar a sociedade plenamente livre e classificou como “intocáveis” políticos, empresários e juízes.

A publicação traz imagens geradas por inteligência artificial com os rostos de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, do presidente Lula e do banqueiro Daniel Vorcaro. No mesmo dia, Zema também repostou no X um esquete de 2018 do canal “Porta dos Fundos” que satiriza Gilmar Mendes, acompanhando o vídeo com uma mensagem afirmando que o STF estaria perseguindo críticos.

Imagem: Divulgação

Desde então, Zema tem divulgado vídeos diariamente criticando medidas do STF e destacando ações do ministro Gilmar Mendes. Em uma postagem, afirmou que está sendo alvo de perseguição por compartilhar sátiras.

Pedido de desculpas de Gilmar Mendes

Na quinta-feira (23), Gilmar Mendes publicou pedido de desculpas após sugerir, em entrevista ao portal Metrópoles, que retratar Zema como um “boneco homossexual” poderia ser ofensivo. O ministro disse não ter receio em reconhecer o erro e mencionou que há uma “indústria de difamação” contra a Corte. Zema reagiu nas redes chamando a fala de Gilmar de demonstração de preconceito.

O impasse envolve, portanto, publicações satíricas, representações judiciais e repercussões políticas que seguem em desenvolvimento enquanto autoridades avaliam possíveis desdobramentos investigativos e ações no Congresso.

Com informações de Jovempan