Um atrito familiar no início de 2005 quase resultou na perda do controle da família sobre a Fidelity Investments, hoje responsável por cerca de US$ 18 trilhões em ativos. A crise teve como epicentro a relação entre Edward Johnson III e sua filha Abigail “Abby” Johnson e expôs disputas internas sobre sucessão, desempenho e o futuro da empresa privada.
Em uma manhã de domingo na primavera de 2005, Marvin Mann, membro do conselho da Fidelity, visitou a casa de Abby em Milton, Massachusetts, sem explicar o motivo da passagem. A visita foi preparatória para uma mensagem que Edward Johnson III não quis dar pessoalmente: a intenção de afastá-la de sua posição de destaque.
Na ocasião, a divisão principal de fundos da empresa vinha enfrentando dificuldades sob a liderança de Abby — com perdas em fundos, saída de talentos e um episódio de favorecimento de corretoras — e cresciam as críticas à sua condução. Bob Reynolds, principal executivo da Fidelity, levou ao pai de Abby, no fim de 2004, a preocupação de executivos e conselheiros e sugeriu a substituição dela.
Ned Johnson deu um prazo de três meses para melhoria nos resultados. Ao final do período, Reynolds insistiu na remoção de Abby. A decisão foi comunicada por Mann; dias depois, Ned confirmou que ela seria retirada da direção da divisão de fundos e transferida para a área filantrópica — uma mudança percebida como demissão disfarçada. A reação de Abby foi imediata: “Eu me demito.” A resposta abalou o pai, que voltou atrás parcialmente e ofereceu a ela o comando da divisão de serviços de planos de aposentadoria 401(k), um dos maiores negócios da empresa.
O episódio destacou o conflito com Reynolds, que tentou manter influência sobre a área enquanto Abby buscava autonomia. Em conversas internas, segundo relatos, Reynolds teria dito a ela: “Você é inteligente, Abby, mas não é seu pai.” Paralelamente, pela primeira vez em décadas, Ned passou a considerar a possibilidade de vender a Fidelity — algo que até então parecia inimaginável para a dinastia.
Imagem: Divulgação
Plano de sucessão
Em 2005, a disputa familiar transformou-se em impasse corporativo. Abby sinalizou que poderia se opor à reeleição de diretores, abrindo uma disputa pelo controle no conselho, com acusações mútuas sobre uma tentativa de tomada de poder. O conflito foi resolvido por meio de um acordo que manteve Abby na empresa e ajustou a estrutura acionária para reforçar o controle de Ned.
O confronto forçou a família a formalizar um plano de sucessão. Nos anos seguintes, Abby recuperou influência, liderou a reestruturação da divisão de aposentadoria e ampliou seu papel na empresa. Hoje, com 64 anos, ela preside a Fidelity, que mantém sua característica de grupo privado controlado por uma família reservada e com presença crescente na vida financeira de milhões de americanos — incluindo a gestão da poupança de cerca de um em cada cinco adultos nos EUA.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6