Uma divisão crescente entre consumidores de refrigerantes nos Estados Unidos transformou a concorrência entre Coca Zero e Coca Diet em uma espécie de “guerra fria” cultural dentro da própria Coca-Cola. A rivalidade ganhou força à medida que a Coca Zero avança em vendas e em popularidade, ameaçando o status da Coca Diet, historicamente associada a ícones da cultura pop e a diferentes gerações.
A Coca Diet, lançada com forte presença nos anos 1980 e apoiada por nomes como Paula Abdul, Whitney Houston e Demi Moore, acumulou ligação com moda e ambientes profissionais. Mais recentemente, a marca foi lembrada em lançamentos de latas de edição limitada vinculadas à sequência de “O Diabo Veste Prada”. A bebida também circula entre públicos diversos: parte da Geração Z a apelidou de “cigarro de geladeira”, segundo a revista Cosmopolitan, enquanto baby boomers aparecem em conteúdos como o TikTok de Bill Gates, que recriou a receita do “Dusty Coca Diet”, de Warren Buffett.
Até o botão que chama Coca Diet no Salão Oval voltou a aparecer sobre a mesa Resolute em janeiro passado, fato que chegou a irritar o secretário de Saúde e Serviços Humanos, segundo relatos.
Dados e reações
Segundo a Circana, refrigerantes sem açúcar responderam por 52% do crescimento das vendas da categoria no ano passado, e a Coca Zero tem sido a principal força desse avanço. A bebida, marca de 21 anos que passou por reformulação em 2017, cresceu 4,8% nos primeiros nove meses de 2025, contra 1,3% da Coca Diet no mesmo período. Em 2024, a Coca Zero havia registrado alta de 10%.
Consumidores fiéis de cada produto manifestam preferências firmes. “Coca Zero é lixo”, disse Heather Baharestani, executiva de publicidade em Nova York e consumidora da Coca Diet. O padre episcopal Jordan Trumble, seguidor da Coca Diet, afirmou: “Eu diria que ninguém está além do alcance da graça e da misericórdia de Deus, mas também… eu simplesmente não entendo isso.”
Do outro lado, entusiastas da Coca Zero rebatem. Christina Ward, escritora e editora de Milwaukee, relatou que, após provar Coca Diet, “senti nojo” e percebeu “um gosto químico, metálico”. Ron Zember, gerente financeiro em Nova York e adepto da Coca Zero, disse considerar o sabor da Coca Diet “horrível”, citando o perfil do adoçante artificial.
Imagem: Divulgação
O conflito entre as duas marcas internas da Coca-Cola tem levado consumidores a trocar de marca, chegando a preferir rivais como Pepsi Zero em alguns casos. A Coca-Cola Company reconheceu distinções claras: “Coca Zero e Coca Diet atraem demografias semelhantes, mas seus perfis de sabor e identidades de marca distintos fazem com que cada uma tenha sua base fiel de consumidores”, afirmou um porta-voz.
Especialistas destacam que, apesar das diferenças, há sobreposição de consumidores: a empresa afirma que cerca de 10% dos consumidores bebem ambos os produtos, embora com preferências definidas. Para estudiosos como o professor Americus Reed II, da Wharton School, mesmo sendo caloricamente iguais, as bebidas “contam histórias completamente diferentes”, com a Coca Diet ligada a moda e mídia e a Coca Zero mais próxima da narrativa da Coca-Cola clássica.
À medida que a Coca Zero segue conquistando espaço nas vendas e nas preferências, a disputa entre os dois refrigerantes se mantém como um fenômeno de identidade cultural dentro do mercado de bebidas.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6