As reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Open Market Committee (Fomc) terminam nesta quarta-feira, 18 de março, em um cenário marcado pela escalada dos preços do petróleo provocada pelo conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O choque na oferta de petróleo e o fechamento do Estreito de Ormuz mudaram os cálculos de investidores e autoridades, tornando decisões antes previstas em uma agenda mais incerta.

Cenário

Os encontros do Copom e do Fomc ocorrem após ataques iniciados em 28 de fevereiro, que elevaram os preços do petróleo de forma rápida. O barril superou US$ 100 pela primeira vez desde 2022, chegou a quase US$ 120 em picos, e registra alta média de cerca de 38% em relação aos US$ 70 de fevereiro. Na terça-feira (17), o Brent encerrou a US$ 105,70 e abriu os negócios nesta quarta levemente em queda, a US$ 103,23, mantendo-se acima do patamar psicológico de US$ 100.

O fechamento do Estreito de Ormuz a grande parte dos petroleiros e o anúncio iraniano de suspensão completa das exportações do Golfo enquanto durar o conflito pressionaram a oferta global, impulsionando as cotações e afetando as projeções de inflação.

No Brasil, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano em janeiro e havia sinalizado a intenção de iniciar a flexibilização da política monetária em março, caso as condições apontadas se confirmassem. Após o choque no mercado de petróleo, as expectativas mudaram rapidamente: dois dias antes do início do conflito, contratos de opções do Copom negociados na B3 apontavam 83% de probabilidade de um corte de 0,50 ponto percentual.

Na véspera da decisão, em 17 de março, a probabilidade de corte de 0,50 ponto caiu para 14%, a de redução de 0,25 ponto subiu para 64% e a chance de manutenção alcançou 21%.

Projeções e posicionamento de bancos

O Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (16), indicou revisão das expectativas: a projeção para a Selic ao fim de 2026 subiu de 12,13% para 12,25% ao ano e a estimativa para o IPCA em 2026 passou de 3,91% para 4,10%.

Entre bancos internacionais, o Goldman Sachs elevou sua projeção de inflação para 2026 de 4,1% para 4,4% e alterou sua previsão de ritmo de cortes no Brasil, esperando agora um movimento inicial de 25 pontos-base em vez de 50. BNP Paribas e Citi também passaram a mirar um corte menor de 0,25 ponto; o JP Morgan mantém a projeção de 0,50 ponto, sustentando que o Copom pode desconsiderar um choque de petróleo se julgá-lo transitório.

Fomc e mercado

Para o Fomc, a manutenção da taxa alvo dos Fed Funds na faixa de 3,50% a 3,75% aparece com probabilidade de 98,9%. A incerteza reside na comunicação sobre a trajetória futura dos juros: em janeiro havia divisão entre os membros e até menções à possibilidade de alta, alternativa que atualmente tem probabilidade estimada em 1,1%.

Perspectivas e abertura de mercado

Apesar das pressões, a leve queda do petróleo nesta manhã levou contratos futuros dos principais índices americanos e as cotas do ETF EWZ iShares MSCI Brazil para o terreno positivo. Investidores acompanham as decisões e comunicações do Copom e do Fomc, e o mercado doméstico tende a oscilar sem direção clara até a divulgação dos comunicados.

Indicadores

BRASIL

Taxa de Juros Selic
Esperado: 14,75%
Anterior: 15%

Imagem: Reuters

Comunicado do Copom

ESTADOS UNIDOS

Inflação no atacado / IPP (Fev)
Esperado: 0,3%
Anterior: 0,5%

Núcleo da inflação no atacado / IPP (Fev)
Esperado: 0,3%
Anterior: 0,8%

Taxa alvo dos Fed Funds
Esperado: 3,50 / 3,75%
Anterior: 3,50 / 3,75%

Comunicado do Fomc

Entrevista coletiva de Jerome Powell

As atenções dos mercados permanecem voltadas para as comunicações das autoridades monetárias e para a evolução dos preços do petróleo, que têm papel central na avaliação de riscos e na formação de expectativas de inflação.

Com informações de Forbes