O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic para 14,50% ao ano, mas adotou tom mais cauteloso no comunicado, segundo analistas e economistas. A decisão, prevista pelo mercado, veio acompanhada de linguagem que ressaltou deterioração nas projeções de inflação e a dependência de novos dados para definir os próximos passos, sem indicar caminho certo para a reunião de início de junho.
Entre especialistas, a interpretação predominante é de que o Banco Central abriu espaço para continuidade na flexibilização, porém sem comprometer-se a um ciclo longo ou acelerado de cortes. Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos, afirmou que o texto reforça a cautela do BC e sinaliza o começo de uma redução gradual, sem garantia de cortes adicionais.
O comunicado também destacou que os riscos para a inflação permanecem mais elevados do que o habitual. Bruno Perri, economista-chefe e co-fundador da Forum Investimentos, observou que o BC deu maior ênfase aos riscos externos, em especial os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços de energia.
Projeções de inflação e risco do petróleo
Leonardo Costa, economista do ASA, apontou piora nas projeções do modelo do BC, com a estimativa de inflação subindo de 3,3% para 3,5% no horizonte relevante, afasta do centro da meta. Costa destacou que o balanço de riscos segue elevado, citando o choque do petróleo como fator de maior preocupação.
Raphael Vieira, head de investimentos da Arton, ressaltou o desconforto do Banco Central com o cenário inflacionário, que limita espaço para um ciclo de cortes mais acelerado. A Arton e outros agentes interpretam a mudança de linguagem do comitê como abertura para rever tanto o ritmo quanto a extensão da trajetória de redução da taxa.
Impacto global e repasses
O contexto internacional, sobretudo o conflito no Oriente Médio, foi citado como justificativa para a postura mais dura do Banco Central. Dados recentes mostram aumento de preços ligado ao petróleo: em abril o IGP‑M subiu 2,73%, a gasolina avançou 6,3% e o diesel 14,9%, enquanto o IPA acelerou para 3,49%.
Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), já se observa repasse de custos ao consumidor em itens da cadeia petroquímica, como embalagens plásticas. Para Rafael Pastorello, do Banco Sofisa, o comunicado deixa margem para ajustar o ritmo de cortes conforme novas informações sobre o conflito e seus efeitos chegarem.
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André Matos, CEO da MA7 Negócios, considerou tecnicamente correto o tom cauteloso diante de um petróleo Brent acima de US$ 112 por barril e do Estreito de Ormuz praticamente fechado, rota que responde por cerca de 20% do comércio global de energia.
Corte técnico e próximos passos
Analistas avaliam o recuo de 0,25 ponto percentual como movimento técnico de calibração da política monetária, em meio a elevada incerteza. Jucelia Lisboa, da Siegen Consultoria, disse que o Banco Central mantém atenção e evita acelerar demais a flexibilização. Peterson Rizzo, da Multiplike, afirmou que a sequência de cortes modestos reforça a ideia de calibração, e não de um ciclo claro de estímulo.
Com o comunicado sem compromissos explícitos, o mercado projeta continuidade do ciclo em ritmo contido. O ASA trabalha com a possibilidade de mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho, mantendo viés de alta para a Selic terminal, hoje estimada em 13% em 2026, sujeito a mudança caso a inflação ou riscos externos se intensifiquem.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6