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De trechos do Mar Báltico até áreas do Oceano Pacífico, países e empresas iniciaram operações coordenadas para aumentar a proteção dos cabos submarinos responsáveis por grande parte do tráfego internacional de internet. O movimento foi intensificado depois do aumento de atividades consideradas suspeitas envolvendo embarcações ligadas à Rússia e à China, levando a OTAN e o setor privado a buscar medidas rápidas para evitar um eventual colapso nas comunicações.

Vigilância militar e ações em regiões estratégicas

A OTAN colocou em prática, em janeiro de 2025, a operação “Baltic Sentry”, que emprega navios, drones e aeronaves para patrulhar o Mar Báltico e observar o que as autoridades chamam de “frota das sombras” — petroleiros e cargueiros com bandeiras de terceiros países supostamente usados por agentes russos para missões de espionagem ou sabotagem. Paralelamente, autoridades do Reino Unido relataram a presença de submarinos russos envolvidos em “atividades nefastas” contra infraestruturas subaquáticas.

Em outra frente, Taiwan aumentou medidas de segurança para proteger cabos próximos à sua costa: reforçou patrulhas da guarda costeira, aprovou penalidades mais rígidas para embarcações que danifiquem cabos em águas territoriais e estimulou operadoras privadas a redirecionar rotas de cabos, evitando áreas do Mar da China Meridional e optando por trajetos próximos ao leste das Filipinas.

Dificuldade de atribuição e novas ameaças tecnológicas

Uma das principais dificuldades apontadas por especialistas é provar legalmente e tecnicamente que um corte foi intencional. Fontes citadas pelo Wall Street Journal indicam que, de 150 a 200 incidentes anuais, a maioria resulta de âncoras ou causas naturais. Ainda assim, cortes recentes perto de Taiwan apresentaram características que parecem deliberadas, atingindo pontos cuja interrupção maximiza o impacto nas comunicações.

Além disso, há relatos sobre o desenvolvimento de equipamentos com discos de diamante capazes de cortar cabos a 4.000 metros de profundidade, o que aumentou a preocupação com a vulnerabilidade de infraestruturas em águas profundas. A China negou envolvimento nas ocorrências mencionadas.

Imagem: Divulgação

Expansão de cabos impulsionada pela demanda por IA e novas defesas

O setor de cabos submarinos segue em rápida expansão, impulsionado pela necessidade de capacidade para aplicações de inteligência artificial. Segundo dados da TeleGeography citados pelo WSJ, o número de projetos planejados saltou de 66 novos cabos em 2020 para 98 em 2024, chegando a 119 projetos em andamento em fevereiro de 2025.

Como a blindagem física tem limites — cabos com proteção metálica têm diâmetro semelhante a uma bola de pingue-pongue e podem ser vulneráveis a âncoras pesadas — a estratégia tem se inclinado para detecção precoce. Tecnologias em uso incluem o sensoriamento acústico distribuído (DAS), que envia pulsos de laser ao longo do cabo para detectar vibrações que indiquem presença de embarcações; sistemas autônomos de fundo do mar, batizados de Seabed Sentry, que monitoram pontos críticos por meses com sonares; e planos de redundância, como a iniciativa de Singapura de ampliar para mais de 50 cabos e criar novos pontos de aterragem em terra para garantir roteamento imediato do tráfego em caso de ataque.

Essas medidas combinam vigilância militar, inovação tecnológica e investimento em infraestrutura para reduzir o risco de interrupções na malha global de comunicações.

Com informações de Olhardigital