A Cosan pode vender sua participação na Raízen depois que a reestruturação financeira da produtora de açúcar e etanol reduzir sua fatia para status minoritário, afirmou o presidente da holding, Marcelo Martins, em coletiva nesta sexta-feira. Martins também estimou que a própria Cosan deve ser dissolvida em um horizonte de três a cinco anos.

Durante a apresentação dos resultados trimestrais, o executivo disse que a Cosan não acompanhará a Shell — parceira na joint venture Raízen — em eventual aporte de capital na companhia, que figura entre as maiores distribuidoras de combustíveis do país.

Martins informou que há tratativas em curso com credores da Raízen para transformar parte do endividamento em participação acionária. A produtora enfrenta passivos da ordem de cerca de R$65 bilhões, segundo relatório da Reuters publicado no início desta semana sobre negociações para evitar pedido de recuperação judicial, com foco na governança da empresa.

O presidente da Cosan afirmou que o montante da conversão e o aporte da Shell resultarão em diluição “substancial” da posição da holding na Raízen. Ele acrescentou que ainda não há definição sobre o tamanho da conversão nem sobre o “preço da conversão”, e que a companhia analisa se ficará com ações ordinárias ou preferenciais após o processo.

Com a participação reduzida, a Raízen deixará de ser considerada um investimento relevante para a Cosan, disse Martins, que também declarou não ter a intenção de permanecer no acordo de acionistas firmado com a Shell há cerca de 15 anos. A expectativa é de que a fatia da Cosan possa ser vendida em um horizonte a ser definido, sem decisão concreta sobre o montante ou o calendário da alienação.

Dissolução da holding

Questionado sobre o papel futuro da Cosan — que detém participações em empresas como Rumo e Compass Gás e Energia — Martins afirmou que a holding deve ser dissolvida, com o processo podendo começar já em 2027. Os acionistas receberiam então participações diretamente nas empresas investidas.

Cosan avalia venda de participação na Raízen após diluição provocada por reestruturação

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O executivo explicou que a medida visa reduzir a alavancagem da companhia e que o crescimento das operações ficará a cargo das controladas. Ele afirmou que a estratégia de redução de endividamento é prioridade e que a abertura de capital da Compass é um passo relevante nesse sentido.

Martins ressaltou que a Cosan mostrará ainda neste ano uma redução “substancial” do endividamento: a dívida líquida expandida fechou o primeiro trimestre em R$11,5 bilhões, queda de 34% na comparação anual. Para 2027, a companhia espera permanecer com um saldo residual da dívida e, a partir daí, iniciar o processo de dissolução da holding tão logo seja factível, segundo ele.

Ao final do processo de desinvestimento e desalavancagem, a ideia é distribuir direta e proporcionalmente os ativos aos acionistas, conforme a avaliação dos ativos e passivos remanescentes.

Com informações de Forbes