TRANSMISSÃO: YouTube
O publicitário e produtor musical Guilherme Maia, 31 anos, revelou a estrutura por trás do sucesso de “Brasil com S”, canção que se tornou presença constante nas redes sociais durante os jogos da Seleção e foi apelidada de “a música da Copa”. Segundo Maia, que atua também sob o nome artístico M4IA, a combinação de inteligência artificial, design focado no engajamento e marketing orientado por dados foi decisiva para a rápida difusão do som e do clipe que ele produziu.
Quem, o que e quando
Maia relata que a iniciativa começou em 19 de março, data em que o Brasil enfrentou a França em amistoso. Incitado por trends musicais geradas por IA e por uma produção francesa que, na visão do publicitário, provocava a torcida brasileira, ele decidiu criar uma resposta sonora rápida e direcionada ao público nacional.
Como a IA foi usada na criação
O produtor afirma ter recorrido a três plataformas de inteligência artificial: duas de uso geral e uma específica para música. Ele utilizou o Claude, da Anthropic, para vasculhar a internet em busca dos hits virais no YouTube, o que o levou a identificar o phonk como referência. Em seguida, empregou o Gemini, do Google, para analisar vídeos de referência, extrair padrões visuais e definir a métrica e a estrutura do clipe — entre elas a forma de call and response e a duração de 52 segundos pensada para maximizar repetições e compartilhamentos.
Para gerar bases e ideias musicais, Maia usou a plataforma Suno, que cria músicas a partir de prompts. No entanto, ele lembra que o processo exigiu várias tentativas — “errei mais de 15 vezes” — e que o produto final foi montado manualmente no FL Studio, programa profissional de produção musical, reunindo trechos aproveitados das gerações feitas pela IA.
Estratégia de design e marketing
Na concepção, a música teve intenção clara de ser curta, replicável e viciante, com elementos do phonk, percussões acentuadas e ganchos, entre eles a frase “Respeita o manto, o rei voltou”, que cita Neymar e buscou gerar conexão e senso de urgência antes mesmo de qualquer convocação oficial. A ação de divulgação combinou monitoramento de tendências por IA, vídeos construídos a partir de comentários populares e tração orgânica nas plataformas.
Imagem: Divulgação
Maia usou novamente o Claude para identificar comentários mais curtidos em publicações sobre outras seleções e produzir vídeos que aproveitassem essas interações. A estratégia, segundo ele, não dependia de influenciadores, embora nomes como Virgínia, Neymar e Camila Mendes tenham posteriormente divulgado conteúdos com a música ao fundo.
Além do alcance nas redes sociais, o produtor afirma que o volume diário de reproduções chamou a atenção do mercado europeu e motivou a adaptação do fonograma para outros 17 países. Maia também comenta, na entrevista, o debate em torno do uso da IA na criação artística e planeja retomar apresentações como DJ pelo Brasil.
O clipe em versão estendida está disponível no YouTube como parte da estratégia de divulgação e transmissão do trabalho.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6