Os músicos Criolo, Amaro de Freitas e Dino D’Santiago se uniram para produzir o álbum “Criolo, Amaro & Dino”, trabalho que se propõe a resgatar e renovar as tradições afro-atlânticas dentro de uma linguagem contemporânea. Gravado entre Lisboa, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo, o disco surge de um encontro fortuito em um estúdio lisboeta, impulsionado por uma mensagem no WhatsApp.

Origem e processo de gravação

O projeto teve início em Lisboa, onde Criolo e Dino D’Santiago já desenvolviam uma parceria quando convidaram o pianista Amaro de Freitas para uma sessão improvisada. Daquele momento nasceu a faixa “Esperança”, que acabou indicada ao Latin Grammy, levando os três artistas a ampliarem a colaboração para um álbum completo.

Fusão de estilos e territórios

“Criolo, Amaro & Dino” não se limita a um gênero. O repertório percorre o rap e o hip-hop de São Paulo, a MPB reinventada por Amaro a partir de ritmos pernambucanos – maracatu, frevo e baião – e as influências cabo-verdianas de Dino, reconhecido por inserir batuku e funaná na música pop europeia. O resultado é uma sonoridade híbrida, que mistura jazz, morna e elementos de música eletrônica, mas mantém coerência como um único território imagético.

Convidados e destaques do álbum

Além da interação entre as três carreiras, o disco traz participações especiais. Em “Você Não Me Quis”, as vozes das Clarianas dialogam com percussões ancestrais; em “Menina do Côco de Garipé”, rabeca e coro retomam tradições populares anteriores à formação do Brasil; e em “No Vento de Nós”, Dino D’Santiago faz referência direta ao mar como conexão entre passado e futuro.

A faixa “Seka” destaca o batuku como expressão de resistência feminina cabo-verdiana, enquanto “Amazônia” combina um groove jazzy com letra engajada: “a Amazônia está pegando fogo, não é só L.A. que tá pegando fogo”, lembra Criolo, ampliando a reflexão sobre a crise climática global.

Significado e repercussão

O disco propõe uma topografia emocional do Atlântico negro, evidenciando a música como espaço de memória, reparação e esperança. Sem pretensões doutrinárias, cada composição faz circular histórias e saberes que ignoram fronteiras, criando um “país” imaginário acessível a quem escuta.

“Criolo, Amaro & Dino” já está disponível nas principais plataformas de streaming, convidando o público a acompanhar a sequência proposta pelos autores e reconhecer a música afro-diaspórica como uma conversa contínua sobre liberdade.

Com informações de Jornaldorap