Descoberta

O rover Curiosity, da NASA, detectou uma variedade de moléculas orgânicas em amostras de rocha coletadas na cratera Gale, em Marte, incluindo um composto nitrogenado cuja estrutura lembra precursores do DNA. Os achados foram divulgados em artigo publicado na revista Nature Communications em 21 de abril de 2026.

O estudo foi conduzido por Amy Williams, professora da Universidade da Flórida e membro das equipes científicas dos rovers Curiosity e Perseverance. As análises foram realizadas com o instrumento SAM (Sample Analysis at Mars), a bordo do Curiosity, que aplicou um procedimento químico inédito no planeta.

Onde e como foram feitas as análises

Devido à quantidade limitada do reagente disponível — apenas duas doses do composto TMAH — os pesquisadores escolheram perfurar a região de Glen Torridon, dentro da cratera Gale, uma área conhecida pela presença de minerais argilosos. Esses argilos têm maior capacidade de preservar matéria orgânica ao longo do tempo.

Com o uso do TMAH para fragmentar moléculas maiores e facilitar a identificação, o SAM detectou mais de 20 substâncias orgânicas nas amostras de arenito argiloso. Entre elas está um composto nitrogenado inédito em medições marcianas e o benzotiofeno, um hidrocarboneto sulfurado de dois anéis frequentemente encontrado em meteoritos.

Limitações e interpretação

Os autores enfatizam que a presença desses compostos não permite, por si só, afirmar que houve vida em Marte no passado. O experimento não distingue se as moléculas foram produzidas por processos biológicos, por reações geológicas envolvendo água quente ou se foram entregues ao planeta por meteoritos.

Williams ressalta que material orgânico presente em meteoritos que caíram sobre Marte também chegou à Terra no passado, fornecendo elementos básicos para a vida no nosso planeta. Assim, embora a descoberta mostre que Marte pode ter preservado compostos orgânicos por bilhões de anos, isso não constitui prova definitiva de vida antiga.

Imagem: Divulgação

Próximos passos

A confirmação mais conclusiva exigiria o retorno de amostras marcianas para análise detalhada em laboratórios terrestres — objetivo do programa Mars Sample Return, em desenvolvimento pela NASA em parceria com a ESA. Enquanto isso, missões futuras planejam empregar o mesmo teste químico: a sonda europeia Rosalind Franklin e a missão Dragonfly, com destino a Titã, também devem levar o reagente TMAH para buscar compostos orgânicos.

O Curiosity, que desembarcou em Marte em 2012 e já percorreu mais de 30 km desde então, segue em operação e pode fornecer novas amostras para investigações futuras.

Com informações de Olhardigital