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Sam Henderson começou a trabalhar meio período em uma unidade da Starbucks em Leicester, no Reino Unido, aos 17 anos para custear despesas pessoais. Quase duas décadas depois, ele é responsável pelos sabores das bebidas servidas nas lojas da Starbucks na Europa, no Oriente Médio e na África, tendo criado, entre outras, o Frappuccino de Cookies and Cream.

Henderson diz ter construído uma carreira que não imaginava quando era jovem: além de compor cardápios, ele possui uma casa, um passaporte com muitos carimbos e fez, com apoio da empresa, um curso equivalente a graduação em ciência dos alimentos. Em entrevista à Fortune, afirmou que o emprego inicial foi o ponto de partida para oportunidades maiores.

Trabalhos de barista são o novo “programa de trainee”

Especialistas e executivos têm apontado que funções na hospitalidade e no varejo vêm se tornando rotas viáveis de entrada no mercado de trabalho, especialmente à medida que a inteligência artificial automatiza cargos administrativos de nível inicial. Sander van ’t Noordende, CEO da Randstad, e Christina Schelling, diretora de talentos da Verizon, comentaram que posições como barista ou bartender podem oferecer desenvolvimento prático e competências transferíveis para outras carreiras.

No Reino Unido, governos direcionam centenas de milhões de libras a programas voltados à hospitalidade e aos serviços para reduzir o desemprego juvenil e facilitar a entrada de jovens no mercado. Paralelamente, a remuneração nessas funções tem se tornado mais competitiva: a Starbucks anunciou que, a partir de julho, oferecerá a baristas nos Estados Unidos bônus de desempenho de até US$ 1.200 por ano, além de ampliar as gorjetas — medidas que, segundo a empresa, podem acrescentar de 5% a 8% aos ganhos líquidos, além de uma média de US$ 30 por hora em salário e benefícios.

O caminho de Henderson dentro da empresa

Henderson manteve o trabalho de meio período enquanto cursava a universidade, mudando de loja conforme se deslocava entre cidades. Após se formar em 2011, tornou-se supervisor em tempo integral, participou de um programa de formação em liderança e progrediu para a gestão de loja. Em 2013, já gerenciava uma unidade no centro de Londres.

A virada ocorreu em 2015, quando venceu o Campeonato de Baristas da Starbucks no Reino Unido. A competição o colocou em contato com o escritório de suporte da empresa e o levou a funções de embaixador e a participar de degustações internacionais. Um desenvolvedor de produtos norte-americano percebeu seu interesse por experimentação de bebidas e sugeriu que ele considerasse pesquisa e desenvolvimento. Mesmo sem formação específica, Henderson foi orientado a tentar: um ano depois havia vaga, ele criou uma bebida para a entrevista e foi contratado.

Imagem: Divulgação

Por meio do programa de ações Beanstock da Starbucks, Henderson financiou viagens à Índia, aos Estados Unidos e à Coreia do Sul, investiu na compra e reforma da própria casa e hoje ajuda a decidir o que milhões de clientes irão consumir em temporada futura.

Conselho para jovens

Henderson recomenda que quem trabalha atrás do balcão encare a função como treinamento, não um impasse. Ele afirma que ser proativo, ficar atento a oportunidades e candidatar-se quando elas surgirem foram fatores-chave em sua trajetória. Para ele, habilidades desenvolvidas em hospitalidade — gestão de relacionamentos, resolução de conflitos e atenção à experiência do cliente — são valorizadas em diversas carreiras, mesmo que não pareçam a porta de entrada inicialmente planejada.

Para trabalhadores da Geração Z fora do mercado de escritório, a mensagem é iniciar em algum lugar, dedicar-se e buscar as oportunidades que surgirem, mesmo que ainda não se tenha todo o conjunto de habilidades exigido pelos cargos posteriores.

Com informações de Infomoney