A Decolar registrou um crescimento de 40% na procura por hospedagens para as férias de julho de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados fornecidos à imprensa. Apesar do contexto de endividamento e da renda doméstica pressionada, a empresa identifica manutenção da intenção de viajar, com mudanças no comportamento de consumo.

De acordo com Roberto Rizo-Patrón, diretor comercial de produtos de destinos da Decolar, os viajantes continuam interessados em viajar, porém planejam com mais antecedência e priorizam experiências personalizadas, como roteiros gastronômicos, vivências culturais e passeios temáticos.

Como o consumo mudou

Segundo a empresa, as buscas permanecem concentradas em destinos nacionais, embora a procura por viagens internacionais tenha avançado com a queda do dólar e a maior demanda por locais de inverno, como Chile e Argentina. A Decolar também observa alteração no timing de compra: viagens ao exterior tendem a ser reservadas com mais antecedência, enquanto embarques domésticos vêm sendo decididos mais perto da data.

A companhia ressalta que os números referem-se a buscas na plataforma, não a vendas concluídas, mas a expectativa é que parte dessas pesquisas se converta em compras, favorecendo a receita.

Destinos preferidos

Entre os destinos nacionais mais procurados para julho de 2026, Gramado (RS) lidera a lista, seguida por São Paulo, Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu. No exterior, Santiago (Chile) é o destino mais buscado, impulsionado pela temporada de neve, com Orlando, Buenos Aires, Bariloche e Paris na sequência.

Ranking (por popularidade nas buscas):

1º Gramado (RS) — 1º Santiago (CL)

2º São Paulo (SP) — 2º Orlando (EUA)

3º Rio de Janeiro (RJ) — 3º Buenos Aires (AR)

4º Foz do Iguaçu (PR) — 4º Bariloche (AR)

5º Natal (RN) — 5º Paris (FR)

6º Fortaleza (CE) — 6º Roma (IT)

7º Maceió (AL) — 7º Lisboa (PT)

8º Porto Seguro (BA) — 8º Nova York (EUA)

9º Campos do Jordão (SP) — 9º Ushuaia (AR)

10º Caldas Novas (GO) — 10º Londres (UK)

11º Salvador (BA) — 11º Barcelona (ES)

Imagem: Divulgação

12º Porto de Galinhas (PE) — 12º Punta Cana (DO)

13º Curitiba (PR) — 13º Cancún (MX)

14º João Pessoa (PB) — 14º Madrid (ES)

15º Belo Horizonte (MG) — 15º Cusco (PE)

16º Balneário Camboriú (SC) — 16º Miami Beach (EUA)

17º Brasília (DF) — 17º Florença (IT)

18º Recife (PE) — 18º Amsterdã (NL)

19º Porto Alegre (RS) — 19º Las Vegas (EUA)

20º Florianópolis (SC) — 20º Milão (IT)

Reservas sem passagem e fatores de preço

A Decolar destaca crescimento na busca por reservas de hospedagem sem inclusão de passagens aéreas, movimento atribuído ao encarecimento das tarifas. Aumento do preço do querosene de aviação (QAV) e efeitos do conflito no Irã foram citados como fatores que elevaram custos; a Petrobras informou alta de 55% no QAV em abril.

Dados do Índice Rodoviário ClickBus, calculado pela Fipe com base na plataforma ClickBus, mostram que, nos 12 meses até maio, passagens de ônibus subiram 7,5%, o preço do diesel cresceu 15,7% e as passagens aéreas tiveram alta de 23,2%.

Além do preço, a preferência por viagens rodoviárias, descoberta por muitos desde a pandemia, contribui para maior busca por hotéis sem voo, bem como por serviços complementares como aluguel de carros e traslados. A Decolar afirma estar investindo no fortalecimento da oferta de hotéis e em posicionamento como um hub digital de serviços de viagem.

Parcelamento e soluções financeiras

Em um cenário de renda apertada, a empresa vê a diversidade de meios de pagamento como diferencial competitivo. A possibilidade de parcelar a experiência completa — hospedagem, traslados e passeios — ajuda a estimular as vendas. A Decolar afirma estar ampliando investimentos em soluções financeiras, incluindo modalidades de pré-pagamento e pagamento no destino.

As informações divulgadas refletem as observações da Decolar sobre comportamento de buscas na plataforma e a estratégia da empresa diante das tendências identificadas.

Com informações de Infomoney