Startups conhecidas como deeptech vêm ganhando destaque por desenvolver soluções baseadas em pesquisa científica e engenharia avançada capazes de resolver problemas complexos e de alto impacto. Presentes em setores como biotecnologia, aeroespacial e meio ambiente, essas empresas trabalham em projetos de longo prazo que podem transformar indústrias inteiras.

O que são deeptechs

As chamadas empresas de tecnologia profunda são startups que concentram esforços na criação de tecnologias com potencial para alterar radicalmente mercados, economias e a vida das pessoas. Baseadas em ciência e em desenvolvimento tecnológico intenso, essas iniciativas costumam ter ciclos de pesquisa e desenvolvimento extensos — frequentemente entre cinco e 10 anos — e exigem aportes financeiros elevados.

Projetos de alto risco e longo prazo caracterizam as deeptechs, que podem enfrentar incertezas maiores que modelos de startups convencionais. Ao buscar respostas para questões como mudanças climáticas, escassez energética e crises sanitárias, essas empresas tendem a gerar propriedade intelectual robusta e difícil de reproduzir.

Origem e distinção em relação a outras tecnologias

O termo deeptech ganhou maior visibilidade na última década, apesar de suas raízes remeterem a inovações disruptivas do século XX. Tecnologias de longo prazo como semicondutores e ferramentas de biotecnologia já recebiam capital de risco no passado, e hoje o modelo evoluiu com maior maturidade científica e colaboração global, reduzindo o tempo entre laboratório e aplicação prática.

Em comparação com startups tradicionais, que buscam soluções rápidas com investimento menor e foco em adoção imediata, as deeptechs buscam criar plataformas ou tecnologias fundamentais sobre as quais outras empresas podem desenvolver produtos e serviços.

Como as deeptechs enfrentam problemas complexos

Essas empresas combinam avanços científicos, engenharia de ponta e novos materiais para atacar problemas complexos. Ferramentas como computação quântica, inteligência artificial e robótica frequentemente entram no desenvolvimento de soluções. No entanto, as deeptechs enfrentam obstáculos significativos, como dificuldade em captar financiamento inicial devido ao horizonte de retorno incerto, falta de mão de obra especializada e exigência de aprovações regulatórias, especialmente em energia e biotecnologia.

Áreas de aplicação

As pesquisas e produtos provenientes de deeptechs têm aplicação em diversos segmentos:

Imagem: Divulgação

  • Saúde e biotecnologia: vacinas de RNA mensageiro (mRNA), novas terapias oncológicas, cirurgias robóticas e órgãos impressos em 3D;
  • Energia e sustentabilidade: geração renovável, baterias sustentáveis para veículos elétricos, descarbonização e monitoramento ambiental;
  • Novos materiais: alternativas biológicas para substituir plásticos e compostos nocivos;
  • IA e computação: modelos avançados de IA, segurança cibernética e computadores quânticos;
  • Bioeconomia: insumos sustentáveis como biofertilizantes e fitomedicamentos;
  • Manufatura: robôs industriais, processamento a laser e nanomanufatura;
  • Blockchain: contratos inteligentes, web 3.0 e soluções com criptomoedas;
  • Mobilidade avançada: veículos elétricos e autônomos e aeronaves hipersônicas;
  • Tecnologia aeroespacial: veículos de lançamento para satélites de pequeno e médio porte e foguetes reutilizáveis.

Tecnologias centrais

O repertório tecnológico varia conforme o projeto: robótica em sistemas autônomos, biotecnologia que integra biologia, química e engenharia, e computação quântica aplicada a simulações moleculares e desenvolvimento de materiais. Inteligência artificial e aprendizado de máquina são onipresentes, contribuindo com redes neurais, visão computacional e processamento de linguagem para análise de dados complexos.

Crescimento e investimento

Segundo o Distrito, a ascensão do setor de IT Services, que engloba deeptechs, marcou 2025 na América Latina ao se aproximar das fintechs no volume de capital de risco. No Brasil, as fintechs captaram US$ 771,5 milhões (R$ 4,04 bilhões), enquanto as empresas de TI atingiram US$ 218 milhões (R$ 1,14 bilhão), quase um terço do montante das fintechs, segundo o relatório.





Especialistas também apontam que deeptechs respondem por cerca de 20% do investimento em capital de risco global. Em 2026, a Frore Systems tornou-se unicórnio ao levantar US$ 143 milhões (R$ 748 milhões) em rodada série D e alcançar avaliação de US$ 1,64 bilhão (R$ 8,5 bilhões), juntando-se a Positron e Recursive Intelligence como unicórnios naquele ano.

As startups de tecnologia profunda seguem ampliando papel nas soluções de desafios globais, ainda que continuem sujeitas às limitações de financiamento, mão de obra e regulação que caracterizam projetos de maior complexidade.

Com informações de Tecmundo