A Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu alerta para a ocorrência de temporais no estado entre quinta-feira, 16 de julho, e sábado, 18 de julho, com expectativa de chuva intensa, rajadas de vento e possibilidade de granizo em diversas áreas. Os maiores impactos são previstos entre a noite da sexta-feira, 17 de julho, e a manhã do sábado.
As instabilidades devem afetar principalmente as regiões Oeste, da Campanha e do Sul gaúcho, mas a previsão indica avanço das condições severas para quase todo o território estadual, incluindo a Região Metropolitana de Porto Alegre. Há risco de acumulados de chuva que podem chegar a 150 milímetros, com episódios de precipitação concentrada em curtos períodos.
O que está por trás das tempestades
Segundo os órgãos meteorológicos, a formação das tempestades está associada à atuação do Jato de Baixos Níveis (JBN), uma corrente de ventos que transporta calor e umidade da Amazônia para o Centro-Sul da América do Sul. O JBN, que atua entre cerca de 1 e 3 quilômetros de altitude, desloca grandes volumes de ar quente e úmido e, ao encontrar outros sistemas atmosféricos, pode favorecer o desenvolvimento de tempestades.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que a interação desse corredor de umidade com frentes frias provenientes do sul aumenta a concentração de vapor d’água e a instabilidade atmosférica, elevando a probabilidade de chuvas intensas e de tempestades mais organizadas.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também sinalizou possibilidade de acumulados significativos. Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagem do Cemaden, afirmou que uma frente fria deverá permanecer estacionada sobre a região por vários dias, mantendo o cenário de chuva prolongada.
Rios atmosféricos: definição e efeitos
Os chamados rios atmosféricos são faixas estreitas na atmosfera que transportam grandes quantidades de vapor d’água, geralmente oriundas de áreas tropicais em direção a latitudes mais altas. Embora não sejam visíveis a olho nu, esses corredores são detectáveis por satélites e são responsáveis por cerca de 90% do transporte horizontal de vapor d’água nas latitudes médias.
Em intensidades moderadas, esses fluxos ajudam a manter o balanço hídrico de determinadas regiões. Porém, quando se apresentam mais fortes, podem concentrar volumes elevados de chuva em curtos intervalos, aumentando o risco de enchentes e deslizamentos.
Na América do Sul, parte desses rios atmosféricos tem origem na evaporação da Floresta Amazônica. Ao atingir a Cordilheira dos Andes, o fluxo tende a ser direcionado para áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e para países vizinhos, impactando regimes de chuva e atividades agrícolas.
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O meteorologista Deniz Bozkurt, da Universidade de Valparaíso, no Chile, destacou que sistemas como o cinturão de chuva equatorial, os ventos alísios e a presença da Cordilheira dos Andes influenciam a trajetória desses corredores de umidade, fazendo com que a umidade viaje para o sul e ocasione precipitações intensas e inundações em outras regiões.
Pesquisas citadas pelos especialistas alertam que o desmatamento da Floresta Amazônica pode reduzir a disponibilidade de vapor d’água e alterar a circulação desses corredores, enquanto o aquecimento global tem aumentado a quantidade de vapor na atmosfera, o que tende a tornar os rios atmosféricos mais intensos.
Além do Brasil, o Chile também poderá ser afetado por um rio atmosférico que, segundo a MetSul Meteorologia, pode atingir elevada intensidade e provocar chuva extrema, ventos fortes, tempestades e neve na Cordilheira dos Andes. As áreas chilenas mais vulneráveis mencionadas incluem as regiões de Coquimbo, Valparaíso, Metropolitana, O’Higgins, Maule, Ñuble e Biobío.
As autoridades seguem monitorando a evolução dos sistemas e orientam a população a acompanhar alertas e recomendações oficiais.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6