Descoberta altera entendimento sobre cruzamentos entre humanos antigos

Seis dentes fossilizados atribuídos ao Homo erectus e datados em aproximadamente 400 mil anos, recuperados em três sítios arqueológicos na China, apresentaram no esmalte uma assinatura de proteína que até então era considerada exclusiva dos denisovanos. A presença dessa marca molecular reabre questões sobre as interações entre diferentes grupos humanos primitivos.

O material foi estudado por pesquisadores que identificaram a referência proteica no esmalte dentário, uma evidência mínima em escala física, mas com impacto relevante em interpretações de ancestralidade e intercâmbio genético no Pleistoceno médio. Segundo o relato do achado, a descoberta foi publicada em maio em uma revista científica.

O fato de uma propriedade molecular atribuída a denisovanos aparecer em fósseis classificados como Homo erectus sugere que houve contato biológico entre esses hominíneos no passado profundo. Essa combinação de vestígios fósseis e sinais biomoleculares leva à hipótese de cruzamentos que podem ter deixado um legado genético em populações humanas posteriores.

Os dentes, provenientes de três sítios distintos na China, conservaram o esmalte em condição suficiente para permitir a análise da assinatura proteica; esse tipo de evidência tem se mostrado útil quando o DNA não é recuperável. A identificação foi descrita como uma pista pequena, mas capaz de provocar uma reavaliação das relações de cruzamento entre grupos humanos antigos.

Os autores do estudo e a revista onde o trabalho foi publicado não são nomeados neste relato, mas o anúncio oficial do achado ocorreu em maio. A descoberta confronta pressupostos anteriores sobre a exclusividade de certos marcadores moleculares a um único grupo hominídeo e expande o quadro sobre a complexidade das interações entre Homo erectus e outras linhagens, como os denisovanos.

Imagem: Divulgação

O conjunto de evidências apresentado pelos dentes chineses indica que a história do cruzamento entre diferentes ramos humanos é mais intrincada do que se supunha, com potenciais vestígios genéticos desses encontros persistindo até populações humanas atuais.





Com informações de Clickpetroleoegas