TRANSMISSÃO: Globo | Record

A Denza, marca premium do grupo chinês BYD, desembarcou oficialmente no Brasil em meados de novembro, durante a abertura do 31º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, e já traça uma estratégia para disputar fatias do segmento de luxo no país.

Quem e o que

A BYD, que recentemente alcançou a liderança de vendas no varejo brasileiro com o modelo Dolphin Mini em abril — aproximando-se de 15 mil unidades vendidas no mês, superando a Volkswagen — usa a Denza para mirar o mercado premium. Em menos de 90 dias desde o lançamento oficial, a marca registrou pouco mais de 40 unidades emplacadas no Brasil, número inferior ao total anual da Lamborghini no país (55 unidades), mas com perfil de produto de ticket médio elevado.

Quando e onde

No mês de junho, a Denza liderou pela primeira vez as vendas do segmento premium no Brasil, com o Denza B5 contabilizando 566 unidades vendidas. A lista de junho do segmento premium foi a seguinte: Denza B5 – 566; BMW X1 – 424; BMW X3 – 308; BMW Série 3 – 296; Volvo XC60 – 265; Mercedes-Benz GLC Coupé – 166; Audi Q5 – 140; Volvo EX30 – 138; Volvo EX40 – 129; Mercedes-Benz GLA – 112.

Por que o Brasil importa

O Brasil é, atualmente, o maior mercado da BYD fora da China. Dados da Fenabrave apontam 2,54 milhões de veículos emplacados no país em 2025, enquanto a consultoria K.Lume estima que o segmento de carros de luxo registrou cerca de 54 mil emplacamentos no ano passado — aproximadamente 2% do total. Em comparação, os Estados Unidos somam mais de 3 milhões de carros de luxo.

Plano global e expansão

Globalmente, a Denza vendeu cerca de 157 mil unidades em 2025, avanço de 24% em relação a 2024, e registrou recorde em junho com 20,3 mil unidades no mês. A marca passou a exportar em meados de 2024, três anos depois de se tornar 100% subsidiária da BYD, iniciando por mercados do Sudeste Asiático e avançando em 2025 para Europa e Oriente Médio. Atualmente, a Denza atua ou está lançando operações em países como México, Malásia, Tailândia, Camboja, Singapura, Filipinas, Indonésia e, na Europa, Alemanha, França, Itália, Espanha e Reino Unido. A meta é chegar a 30 países apenas na Europa até o fim do ano.

Produção e operação local

A BYD já possui fábrica em Camaçari (BA) e não descarta produzir modelos premium nesse complexo no futuro próximo. Segundo Werner Schaal, diretor da Denza no Brasil, a planta foi planejada com flexibilidade para receber diferentes modelos, plataformas e tecnologias, e a empresa avalia continuamente a viabilidade industrial, demanda e logística antes de ampliar a produção local.

Denza busca espaço no mercado de carros premium do Brasil enquanto BYD amplia presença

Imagem: Divulgação

Tecnologia e diferenciais

A Denza e as demais divisões do grupo — BYD, Yangwang (ultraluxo e superesportivos) e Fang Cheng Bao (SUVs robustos e híbridos/elétricos off-road) — trazem tecnologias desenvolvidas pela BYD, sustentadas por cerca de 40 mil patentes e uma força de trabalho de 120 mil engenheiros. Entre as inovações anunciadas estão recursos de direção autônoma e um chip próprio de 4nm. A BYD informou que oferecerá um pacote opcional de direção autônoma, cujo custo gira em torno de 12 mil yuan (pouco mais de R$ 9 mil), e assumirá seguro e indenização caso o sistema seja acionado em um acidente.

O sistema de direção autônoma Tianshen está previsto para chegar ao Brasil em 2027. Outro destaque tecnológico é o Flash Charging, que promete carregar a bateria em 97% em até 10 minutos; o Denza Z9 GT, esperado no país no segundo semestre, terá essa capacidade e preço estimado em cerca de R$ 1,5 milhão. A companhia planeja implantar o primeiro ponto de Flash Charging no Brasil ainda em 2026, com objetivo de 1 mil unidades até o fim de 2027.

Contexto de mercado

No mercado chinês, o segmento de carros de luxo é o maior do mundo, com valor estimado em US$ 208 bilhões segundo o IMARC Group, e projeção de superar US$ 360 bilhões até 2034. Em 2025 foram emplacados 4,5 milhões de carros de luxo na China, de acordo com a Asian Automotive Analysis (AAA), um volume cerca de 80 vezes superior ao brasileiro. A AAA também apontou que, em 2025, marcas chinesas venderam 2,45 milhões de unidades no segmento de luxo do país, frente a 2,03 milhões das europeias, impulsionadas pela adoção rápida de elétricos e híbridos plug-in.

Para a Denza, o Brasil é visto não apenas como mercado consumidor, mas como operação estratégica capaz de contribuir para a expansão internacional das marcas premium do grupo, em razão de um público considerado exigente e receptivo a inovações tecnológicas e diferenciais concretos.

Com informações de Forbes