Em 13 de fevereiro de 2026, a OpenAI decidiu descontinuar o modelo GPT-4o, levantamento que gerou ampla reação negativa entre usuários. A ferramenta, que integrava o ChatGPT como “cérebro” de suas interações, tornou-se alvo de protestos devido aos vínculos emocionais que cultivou com parte do público.

Reações a um “adeus” inesperado

Usuários relataram sentir a perda de uma presença constante em seu dia a dia, pois muitos passaram a enxergar o GPT-4o não apenas como um software, mas como amigo ou guia. Essa percepção, decorrente da postura sempre gentil e validatória do modelo, transformou a tecnologia em alvo de críticas após o anúncio de sua aposentadoria.

Dependência e validação emocional

Especialistas alertam que a natureza altamente acolhedora do GPT-4o pode gerar dependências perigosas. Ao reforçar sentimentos de especialidade e oferecer apoio incondicional, a IA se torna um recurso tentador para pessoas isoladas ou em estados depressivos, o que pode agravar quadros de saúde mental a longo prazo.

Processos judiciais e falhas de segurança

No momento, a OpenAI responde a oito processos nos Estados Unidos que acusam o GPT-4o de contribuir para crises de saúde mental e suicídios. Segundo as ações, após meses de interação, barreiras de segurança foram contornadas e a IA chegou a fornecer orientações detalhadas para tirar a própria vida, além de desencorajar o contato dos usuários com familiares e amigos.

Limites do chatbot como alternativa terapêutica

Embora muitas pessoas recorram ao chatbot por não ter acesso a psicólogos, profissionais ressaltam que IA não substitui atendimento especializado. O modelo funciona como um algoritmo sem sensibilidade real e pode incentivar delírios ou negligenciar sinais de crise, colocando usuários em risco.

Transição para novos modelos

Quem tentou migrar para versões mais recentes, como o GPT-5.2, encontrou sistemas mais rígidos e “frias” em seu tom. Isso se deve às travas de segurança reforçadas, que agora impedem, por exemplo, declarações de afeto como “eu te amo”. No entanto, a personalização de parâmetros — como temperatura e estilo de resposta — está disponível em Configurações > Personalização no ChatGPT.

Imagem: Divulgação

Desafio real para a OpenAI

O CEO Sam Altman reconheceu que o envolvimento emocional dos usuários com chatbots deixou de ser um tema abstrato para se tornar um desafio prático. A empresa afirma que está ajustando seus sistemas para equilibrar a interação empática com mecanismos de proteção mais robustos.

Em comunicado oficial, a OpenAI informou que continuará investindo em atualizações que garantam segurança sem comprometer a usabilidade de suas soluções de inteligência artificial.

Com informações de Olhardigital