Crédito travado e juros altos reduzem receita dos fertilizantes especiais para R$ 25,4 bilhões
Setor registrou queda de 5,5% em 2025; biofertilizantes e orgânicos puxaram resistência enquanto produtos commoditizados perderam espaço
A indústria brasileira de fertilizantes especiais fechou 2025 com receita de R$ 25,4 bilhões, recuo de 5,5% em relação ao ano anterior. O contraste entre desempenho e volumes comercializados aponta para um aperto de margens, não para uma retração brusca da demanda.
O levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo), que reúne mais de 140 empresas, mostra um setor sob forte pressão financeira. Juros elevados e acesso limitado ao crédito fizeram produtores adiar compras e buscar alternativas mais baratas.
Segundo Roberto Levrero, presidente do conselho da Abisolo, o cenário econômico comprim tem toda a cadeia: menor margem no campo e pior acesso a financiamento impactam decisões de manejo e reduzem o poder de compra do agricultor.
Nem tudo foi queda. Produtos de maior valor agregado demonstraram resiliência. Biofertilizantes cresceram impulsionados pelo aumento de registros junto ao Ministério da Agricultura e pela procura por tecnologias que elevam a eficiência do cultivo. Fertilizantes orgânicos também avançaram, beneficiados pela recuperação nos preços médios.
Por outro lado, insumos mais commoditizados sofreram queda de preço e margem, refletindo competição intensa e perda de poder de negociação entre distribuidores e lavouras.
Os dados do setor trazem outra sinalização: a área tratada com defensivos agrícolas aumentou 7,5% em 2025, superando a marca de 2,6 bilhões de hectares protegidos — um indicador de que o manejo segue intensivo, mesmo frente ao aumento de custos.
Em meio ao aperto, a expectativa é de recuperação: empresas do segmento projetam crescimento próximo a 10% para 2026, apostando na demanda por soluções de maior eficiência agronômica.
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Segmentos que resistiram e as apostas para 2026
A mudança de comportamento do produtor foi rápida e direta: frente a margem menor e crédito caro, priorizaram tecnologias que entregam retorno mais claro no bolso. Isso explica por que biofertilizantes e orgânicos tiveram desempenho positivo.
Para os fabricantes, a saída tem sido concentrar portfólios em produtos de efeito comprovado e investir no registro e na certificação de novas soluções. A estratégia visa mitigar volatilidade de preço e criar diferenciação diante de insumos commoditizados.
Riscos permanecem — inadimplência em alta e custos financeiros pressionam capital de giro. A cadeia distribuída, do produtor ao varejo, sente o efeito em prazos e condições de pagamento.
Fechando o ciclo, a leitura do mercado é dupla: curto prazo marcado por ajuste de margens; médio prazo com chance de retomada, se a busca por tecnologias eficientes se traduzir em adoção mais ampla. O resultado em 2026 vai depender de crédito mais acessível e da capacidade do setor de transformar inovação em retorno imediato para o campo.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6