Pesquisadores ouvidos pelo The Guardian e levantamento de imagens de satélite apontam que a combinação de desmatamento e expansão da mineração artesanal na República Democrática do Congo tem aumentado a probabilidade de novos surtos de Ebola. Estudos citam a perda de floresta, o maior fluxo de pessoas em áreas remotas e o contato ampliado entre comunidades humanas e animais hospedeiros como fatores que favorecem a emergência e a disseminação da doença.
Transformação ambiental e dinâmica de transmissão
Desde a identificação do vírus Ebola, em 1976, os surtos costumavam ser localizados e de menor alcance. Nas últimas décadas, contudo, episódios têm sido mais extensos e capazes de cruzar fronteiras. Além do crescimento populacional e da maior mobilidade, pesquisadores destacam que mudanças nos ecossistemas onde o vírus circula têm papel relevante nesse cenário.
Segundo reportagens, morcegos são amplamente considerados hospedeiros naturais do Ebola. Em florestas intactas, o contato entre esses animais e humanos tende a ser limitado, reduzindo oportunidades de transmissão. Quando a cobertura florestal é fragmentada, no entanto, animais passam a ocupar áreas menores e mais próximas de assentamentos, o que eleva a probabilidade de exposição a fluidos capazes de transportar o vírus.
Levantamentos citados relacionam avanços do desmatamento na África Central a aumentos na incidência de doenças como malária e Ebola. A grande epidemia na África Ocidental, em 2014, foi associada à intensa perda de floresta na região onde o surto teve início. Dados de monitoramento por satélite analisados pelo Global Forest Watch apontam que a atual ocorrência de Ebola do tipo Bundibugyo foi precedida por forte redução de cobertura florestal na bacia do Congo.
Mineração artesanal e avanço sobre áreas remotas
Pesquisadores consultados ressaltam que, no caso congolês, a expansão da mineração artesanal contribui para a abertura de novas áreas na floresta. Estudos conduzidos por Malte Ladewig, da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida, associam essa atividade à extração local de minerais como ouro, cobalto e coltan, que abastecem cadeias comerciais informais e as cadeias globais de tecnologia.
Ao contrário da expansão agrícola, que costuma ocorrer a partir das bordas florestais, a busca por jazidas leva trabalhadores a regiões mais isoladas, atraindo pessoas de diferentes localidades. Em locais afastados, a dependência da caça e a formação de assentamentos improvisados com infraestrutura e saneamento precários podem facilitar o contato entre humanos e fauna silvestre. Embora não haja confirmação de ligação direta entre mineração artesanal e a origem do surto atual, os primeiros casos fatais foram registrados em Mongbwalu, cidade associada à exploração de ouro e cercada por áreas de mineração sem regulamentação.
Imagem: Divulgação
Especialistas também identificaram sinais claros de intensa atividade mineradora ao redor de Mongbwalu e registraram avanço do desmatamento nas imediações no último ano, conforme análise de imagens por satélite realizada por Matthew Hansen e citada pelo The Guardian.
Prevenção e preservação
Relatos afirmam que respostas emergenciais, vigilância e preparo continuam essenciais para enfrentar surtos. Ao mesmo tempo, os pesquisadores defendem que a preservação dos ecossistemas onde agentes patogênicos circulam é importante para reduzir oportunidades de transmissão entre animais e humanos. Nesse contexto, o debate sobre a origem dos minerais usados em produtos tecnológicos passa a integrar a discussão sobre saúde pública e prevenção de doenças emergentes.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6