Uma ação judicial sobre um par de shorts de boxe usados por Muhammad Ali em 1977 provocou um confronto entre dois conhecidas figuras do meio corporativo e de colecionadores. No centro da controvérsia está Frank Bisignano, chefe da Administração da Seguridade Social e que também atua como CEO da Receita Federal dos EUA durante a temporada de impostos, e o colecionador Eric Inselberg.

Inselberg afirma ter entregue o calção branco com listras pretas — supostamente usado por Ali em sua última luta no Madison Square Garden em 1977 — como garantia de um empréstimo de US$ 500 mil concedido em 2010. Segundo ele, a dívida foi quitada, mas o item, hoje avaliado em US$ 800 mil, não foi devolvido por Bisignano.

Bisignano nega ter recebido o short. Em documentos judiciais, seus advogados afirmam que ele “nunca foi amigo” de Inselberg e apontam que a avaliação do objeto é exagerada. Também o descrevem como alvo de litígios repetidos, citando que o empréstimo teria levado a “uma década de litígios vexatórios”.

Disputas sobre inventário e evidências

O processo gira em torno da comprovação de que o calção foi efetivamente entregue a Bisignano. As partes concordam que, em 2010, Inselberg contraiu o empréstimo para financiar um negócio de tecnologia interativa e ofereceu dezenas de itens colecionáveis e o controle de patentes como garantia.

Inselberg sustenta que, ao renovar o empréstimo, entregou mais peças como garantia, incluindo o short emoldurado, que teria sido recebido pela então assistente pessoal de Bisignano. A assistente reconheceu ter recebido memorabilia, mas afirmou não lembrar especificamente do calção.

Em 2011, promotores federais acusaram Inselberg e outros por um suposto esquema de venda de memorabilia falsa ligada ao New York Giants; essas acusações foram posteriormente retiradas, mas afetaram seus negócios e motivaram processos contra o time e contra Bisignano.

Depois de longa disputa, as partes concordaram que as patentes serviriam para quitar o empréstimo e que Bisignano devolveria os itens. Inselberg afirma que o short não foi incluído na devolução — apenas o certificado de autenticidade — e que também faltaram um quadro de Peter Max representando Michael Jordan e um capacete usado pelo membro do Hall da Fama da NFL Larry Fitzgerald.

Imagem: Divulgação

Bisignano, por sua vez, alega desorganização e alteração no inventário sem concordância mútua, além de apontar inconsistências nas datas apresentadas por Inselberg. Em depoimento, Inselberg descreveu Bisignano como “vingativo” e um “predador de topo” que estaria retendo o item por despeito.





Inselberg pretende usar o depoimento do colecionador Lou Lampson como prova, após Lampson afirmar ter visto o short pendurado na residência de Bisignano em um jantar em 2012 que contou com a presença de Fitzgerald. Os advogados de Bisignano contestam essa versão, alegando discrepâncias na cronologia.

O julgamento, que deveria começar na semana passada em um tribunal de Nova Jersey, foi adiado para setembro a pedido de Bisignano. O advogado Kevin Marino afirmou que “casos são decididos no tribunal, não na imprensa” e declarou confiança em vitória no julgamento.

Com informações de Investnews