TRANSMISSÃO: Record | Band
Asha Sharma, nova CEO do Xbox, assume a liderança em um momento em que a presença da marca no Brasil se enfraqueceu após anos de forte conexão com a comunidade iniciada na era do Xbox 360. Especialistas e ex-integrantes da equipe brasileira apontam que recuperar a confiança dos fãs exigirá mais do que promessas globais: será preciso um trabalho local consistente.
Legado do Xbox 360 e o papel do Inside Xbox
Na segunda metade dos anos 2000 e começo dos anos 2010, o Xbox 360 consolidou no país um público engajado graças a estratégias como localização de jogos com dublagem em português, iniciativas comunitárias e produção local. O programa Inside Xbox, transmitido diretamente no dashboard do console, aproximou apresentadores como Nelson Alves Jr., Mariana Ayres e Thais Matsufugi do público, criando identificação e sensação de comunidade.
Nelson Alves Jr., ex-apresentador e diretor do Inside Xbox no Brasil, descreve a proposta como uma comunicação direta entre fãs, com tom coloquial e proximidade. A equipe brasileira, embora pequena em comparação a outras sedes, conseguiu destaque em coberturas importantes, como a E3, e trabalhou para trazer edições especiais de consoles e jogos para o mercado nacional.
Entre os lançamentos exclusivos estão edições comemorativas e colecionadores — a exemplo do Xbox One com edição limitada de 102 unidades em homenagem ao Palmeiras — e a fabricação local do videogame na Zona Franca de Manaus, fatores que reforçaram a presença da marca no varejo e na cultura gamer nacional.
O distanciamento recente
Após a pandemia, segundo relatos de ex-executivos, a Microsoft reduziu interações locais e implementou decisões que afetaram negativamente a base brasileira: fim das mídias físicas para a plataforma no Brasil, escassez dos consoles Series X|S nas prateleiras, aumento expressivo do preço do Xbox Game Pass — que chegou a cerca de R$ 120 — e maior aposta em lançamentos multiplataforma. Essas mudanças, aliados à ausência em feiras importantes como BGS e gamescom Latam, teriam contribuído para a perda de protagonismo do país.
Nelson diz ter percebido um esvaziamento gradual das iniciativas nacionais após a troca de equipe dedicada ao Xbox no Brasil. Projetos locais com ambição, como a proposta de transformar o Inside Xbox em uma programação diária (“Xbox TV”), não avançaram, e as ações remanescentes tiveram vida curta.
Imagem: Divulgação
Para o ex-diretor, o distanciamento também é reflexo de decisões globais da Microsoft, com frequentes mudanças de diretriz, aquisições e encerramento de estúdios que, na visão dele, geraram insegurança entre consumidores e afetaram escritórios regionais, inclusive o brasileiro.
O que esperar agora
Com a nomeação de Asha Sharma e a abertura de vagas em liderança de marketing, a empresa sinaliza intenção de reformular operações de gaming. No entanto, permanece incerto se as ações futuras contemplarão uma reconexão autêntica com os fãs brasileiros ou se ficarão limitadas a iniciativas globais. Nelson avalia que, mesmo com esforços, é improvável que os “tempos dourados” voltem exatamente como eram, e que a retomada exigirá atenção ao mercado e ao relacionamento local.
A Microsoft Brasil foi convidada a comentar sobre o tema, mas, segundo o Canaltech, a equipe nacional do Xbox se recusou a fornecer um pronunciamento oficial.
O retorno da comunidade passa por mais do que reposicionar produtos: demanda ações localizadas e continuidade para restabelecer a relação que existia entre a marca e o público brasileiro.
Com informações de Canaltech

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6