Uma trajetória que começa em uma pequena sala da Brown University, em Providence, em 2004, e chega agora à preparação para sediar o Golden Globes no Brasil. A organizadora daquele primeiro festival de cinema brasileiro na universidade relembra a experiência e relata sua participação na condução do evento internacional que terá transmissão da cerimônia pelo país.

TRANSMISSÃO: Globo

No relato, a realizadora descreve como a ideia do festival nasceu enquanto fazia cópias no departamento de Latin American Studies e ouviu menções ao potencial cultural do Brasil feitas por um ex-aluno coreano. Em 2004, o evento reuniu oito filmes escolhidos para mostrar a amplitude do cinema brasileiro, aproveitando o interesse gerado pelo sucesso de Cidade de Deus e a presença de uma comunidade de origem portuguesa em Providence.

O festival incluiu produções como Cidade de Deus, Abril Despedaçado, Bicho de Sete Cabeças e Bossa Nova. Bruno Barreto viajou de Nova York para prestigiar a abertura. Após a exibição de Cidade de Deus, a organizadora conduziu um bate-papo com o ator Leandro Firmino da Hora — sua primeira viagem internacional — e traduziu as respostas durante o Q&A. O auditório lotado, com cerca de 80% do público sem falar português, revelou uma curiosidade forte pela cultura brasileira.

Naquele período, a organizadora teve um encontro fortuito com o então visiting scholar Fernando Henrique Cardoso, que se interessou pelo festival e acabou abrindo a programação, marcando a cerimônia de inauguração.

Ao longo dos anos, embora tenha trabalhado com roteiro e passado por empresas como Miramax e Paramount, além de colaborar com nomes como a diretora Katia Lund e o ator Matt Dillon, ela migrou profissionalmente para os setores de hospitalidade e mercado de luxo, sem perder o vínculo com o cinema. A família também esteve ligada às artes: a avó Heloisa Helena teve longa carreira na televisão, teatro e cinema, e seu nome, Paula, homenageia o avô Paulo Magalhães, cujo trabalho teatral marcou a estreia de Fernanda Montenegro.

Imagem: Ap

Em dezembro passado, a organizadora foi apresentada a produtores envolvidos na iniciativa de trazer o Golden Globes ao Brasil e, pouco depois, conheceu Uri Singer e Orlando John, responsáveis pela liderança do projeto. A presidente do Golden Globes, Helen Hoehne, apoiou a escolha do país como palco da comemoração fora de Los Angeles pela primeira vez.

Com pouco mais de três meses para colaborar na estruturação da estratégia do evento, ela passa a atuar na promoção de uma celebração que, segundo o relato, pretende reconhecer trabalhos do cinema e da televisão feitos por brasileiros, em um momento de atenção internacional à produção cultural do país. A cerimônia, prevista para o Copacabana Palace, deverá reunir personalidades do audiovisual nacional no tapete vermelho.

O processo remete, para a organizadora, ao começo modesto em Brown University, quando tentava mostrar que o cinema brasileiro merecia visibilidade além das fronteiras.

Com informações de Forbes