Com mais de 30 anos de trajetória na música, produtor já participou de projetos de MC Livinho, KayBlack, MC IG, MC PH, MC Dricka e DJ GBR no festival

(Crédito: Dodô Costa divulgação)
Quando um artista sobe ao palco do Rock in Rio, o público vê poucos minutos de apresentação. Nos bastidores, porém, aquele momento pode representar meses de planejamento, decisões artísticas, ensaios, ajustes técnicos e integração entre dezenas de profissionais.
Dodô Costa conhece bem esse processo e acompanha de perto tudo o que acontece antes de uma grande apresentação chegar ao público. Ao longo de mais de três décadas no mercado musical, viu a produção de shows ganhar novas camadas de complexidade, tecnologia e planejamento, especialmente com a chegada do funk aos maiores palcos do país.
Atualmente diretor comercial da GR6, Dodô construiu uma trajetória que passa por produção, direção artística, planejamento técnico, desenvolvimento de projetos e coordenação de equipes. No Rock in Rio, já esteve envolvido em trabalhos ligados a nomes como MC Livinho, KayBlack, MC IG, MC PH, MC Dricka e DJ GBR.

(Da esquerda para a direita, Dodô Costa com MC PH, MC Dricka e MC IG no Rock in Rio. Crédito: Dodô Costa)
Segundo Dodô, preparar um artista para um festival dessa dimensão exige uma mudança de escala e também de mentalidade.
“Não basta aumentar o painel de LED ou colocar mais efeitos. O artista precisa entender a importância daquele palco e preparar uma apresentação pensada para uma audiência muito maior. O público vê o show, mas existe uma operação enorme acontecendo antes e durante aquele momento”, afirma.
A construção começa muito antes da abertura dos portões. Repertório, conceito visual, iluminação, conteúdos de LED, figurino, logística, equipe técnica e ensaios precisam funcionar como partes de um mesmo projeto.
Em grandes festivais, explica Dodô, cada detalhe interfere na experiência final. Não se trata apenas de levar para um palco maior o mesmo show apresentado em casas noturnas ou eventos menores. A apresentação precisa ser redesenhada para conversar com a dimensão do festival, com quem acompanha presencialmente e também com a audiência que vê aquele momento pelas redes sociais, pela imprensa e por outros canais.
Do MC e DJ às grandes produções
Para Dodô, a presença crescente do funk nos principais festivais brasileiros também mostra como o gênero amadureceu artística e profissionalmente.
Durante muito tempo, a estrutura tradicional de muitas apresentações era baseada principalmente em MC, DJ e microfone. Hoje, grandes shows de funk podem reunir direção artística, cenografia, bailarinos, iluminação programada, conteúdos audiovisuais e equipes especializadas trabalhando de maneira integrada.
Essa evolução, segundo ele, não significa abandonar as origens do movimento.
“O funk cresceu, atravessou fronteiras e conquistou esses espaços. Não é abandonar a essência da favela e da periferia, mas apresentar essa essência com organização, qualidade técnica e respeito ao público. O funk não está recebendo um favor ao ocupar esses palcos. Ele conquistou esse lugar”, destaca.
A fala traduz uma mudança importante na indústria. Se antes a presença do funk em determinados espaços era tratada como exceção, hoje artistas do gênero ocupam festivais, campanhas, premiações e grandes eventos com projetos cada vez mais estruturados.
Para quem acompanha essa transformação há décadas, a diferença está não apenas no tamanho dos palcos, mas também na forma como artistas e equipes passaram a enxergar esses momentos.
Um festival pode mudar a percepção sobre um artista
Além da repercussão artística, Dodô chama atenção para outro fator: o impacto estratégico que uma apresentação em um festival como o Rock in Rio pode ter na carreira.
A exposição vai além do público presente. Um grande show gera imagens, vídeos, repercussão nas redes sociais, cobertura de imprensa e novos pontos de contato com marcas, contratantes e profissionais da indústria.
“O festival gera visibilidade, imprensa, conteúdo e percepção de valor. Mas estar lá não basta. É preciso transformar esse momento em posicionamento e novas oportunidades”, explica.
Na prática, o palco pode funcionar como uma vitrine para uma nova fase da carreira. Para isso, segundo Dodô, é necessário existir planejamento antes, durante e depois da apresentação.
O show termina, mas o trabalho em torno daquele momento continua. A repercussão precisa ser aproveitada, o conteúdo precisa circular e a exposição conquistada no festival pode abrir portas para novas oportunidades, projetos e mercados.
“Um grande palco precisa representar o começo de uma nova fase”
Depois de mais de três décadas nos bastidores da música, Dodô acompanhou diferentes momentos da indústria brasileira e também a transformação do funk, que saiu de circuitos muitas vezes marginalizados para ocupar alguns dos maiores eventos do país.
Para ele, ver um projeto chegar a um palco dessa dimensão mistura realização e responsabilidade.
“Quando as luzes acendem e o público responde, existe uma sensação de missão cumprida. Mas um grande palco não pode ser apenas uma chegada. Ele precisa representar o começo de uma nova fase na carreira do artista.”
E talvez seja justamente esse o maior bastidor de um grande festival. Para o público, o show dura alguns minutos. Para quem constrói uma carreira, aquele momento pode reverberar por anos.
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Letícia Puccinelli: [email protected]

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6