Na madrugada de 15 de maio, Drake lançou três álbuns ao mesmo tempo — Iceman, Maid of Honour e Habibti — totalizando 43 faixas e cerca de duas horas e meia de música. Entre os três, Iceman foi o projeto mais divulgado antes do lançamento, tendo recebido promoção desde agosto de 2024.
O disco principal é apontado como o melhor trabalho de Drake desde For All the Dogs (2023), mas a avaliação ressalta que isso ocorre num patamar considerado baixo. Aos 39 anos, o artista enfrenta processos contra a Universal Music Group e acusações de manipulação de streams, contexto que permeia a recepção do álbum.
Iceman começa com um momento de abertura íntima: “Make Them Cry”, produzida por Boi-1da, traz versos em que Drake se mostra vulnerável, comenta ser filho único, assumir papéis familiares, fala sobre o câncer do pai e descreve julho de 2024 como um dos piores períodos que viveu. A faixa aborda também envelhecimento, amizades que se desfizeram e tratamentos de terapia que não surtiram efeito.
Logo após essa abertura introspectiva, o álbum assume tom mais combativo. Grande parte das faixas seguintes concentra ataques a colegas e figuras públicas citadas por Drake, entre elas Kendrick Lamar, Rick Ross, DJ Khaled, J. Cole, A$AP Rocky, LeBron James, DeMar DeRozan, Pusha T, Jay‑Z e Dr. Dre. A crítica aponta que a sequência de desavenças ocupa boa parte do repertório e tende a diluir o impacto de cada ataque.
No plano da produção, Boi‑1da e Conductor Williams aparecem com créditos de destaque, levando o som a uma estética mais crua e minimalista, distante das tendências de projetos anteriores de Drake. Há uso de soul abafado, 808s e loops marcantes que pressionam o artista a rimar em vez de flutuar. Canções como “Whisper My Name”, com flauta e bateria pesada, e “What Did I Miss?” — primeiro single, que mistura trompetes e flautas — são citadas como exemplos da direção sonora.
Faixas como “2 Hard 4 The Radio” apresentam duas partes distintas, incluindo um ataque direto a Kendrick Lamar e Pusha T. “National Treasures”, coproduzida por Wraith9, combina sintetizadores sombrios e transições de trap para batidas industriais. Ainda assim, críticos observam repetição temática em músicas como “Make Them Know”, “Firm Friends” e “Make Them Remember”, que tratam repetidamente de traição.
Imagem: Joseph Okpako/WireImage para ABA
Há pontos de destaque: “Janice STFU” interpola Lykke Li, “Plot Twist” evidencia variações no flow de Drake e “Dust” traz mudanças de batida notáveis. “Ran to Atlanta”, em parceria com Future, é apresentada como uma reconciliação pública após desentendimentos anteriores envolvendo Future e Metro Boomin, e o título responde diretamente a acusações de que Drake teria apropriado elementos da cena de Atlanta.
Entre as participações, além de Future, 21 Savage aparece em “B’s on the Table” e Molly Santana tem contribuição destacada em outras faixas. De modo geral, Iceman é descrito como um álbum em que Drake busca reafirmar sua faceta de rapper, alternando momentos de honestidade pessoal com passagens de revanchismo voltadas a vários nomes da cena.
O álbum faz parte de uma estratégia de lançamentos simultâneos, que gerou ampla audiência e debate sobre a intenção por trás da quantidade de material divulgado de uma só vez.
Com informações de Rollingstone

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6