Ebony diz ser importante ter músicas sem palavrão para alcançar outros públicos

Em entrevista ao POPline, a rapper Ebony — nascida Milena — explicou como equilibra a linguagem crua do rap com composições mais limpas que facilitem sua circulação em diferentes ambientes e meios de comunicação. Segundo a artista, suas canções geralmente nascem em versões explícitas, com muitos palavrões, mas são trabalhadas depois para criar faixas sem ofensas que possam ser apresentadas em televisão e alcancem públicos fora da cena original.

Ebony afirmou que costuma reservar uma ou mais músicas sem palavrões justamente para esses contextos, porque essas faixas transitam melhor entre “bolhas” musicais distintas. A cantora também ressaltou a importância de mostrar versatilidade: não quer ser vista como alguém que só sabe se expressar de um único modo.

Quebra de estereótipos e o peso da representação

A artista comentou ainda sobre o preconceito que envolve o rap, especialmente em relação às mulheres negras. Ela apontou que há uma expectativa de que, ao rimar, vá necessariamente usar linguagem agressiva, quando muitas vezes suas letras questionam temas profundos. Ebony disse sentir a responsabilidade de não falar apenas por si mesma, pois sua postura pode influenciar a percepção de um grupo maior.

A aproximação entre Ebony e Milena

Milena contou que, com o tempo, a linha entre a persona artística e sua identidade pessoal tem ficado mais tênue. A repercussão de canções mais íntimas, como as presentes em “KM2”, levou fãs a chamá-la pelo nome de batismo, algo que ela não vivenciava antes e que descreveu como um processo curativo. A rapper relatou ter guardado vergonha da origem — infância marcada por condições financeiras limitadas e adoção — e que a recepção do público a permitiu sentir-se mais exposta e acolhida.

Vulnerabilidade nas composições

Como compositora, Ebony afirmou que escreve de forma espontânea, transformando experiências e emoções em poemas e músicas. Ela apontou a dificuldade de se mostrar vulnerável publicamente, especialmente ao tratar de temas que dizem respeito a mulheres negras. A faixa “Sangue Ruim”, presente na versão de luxo de “KM2”, foi citada como um exemplo de poema que foi incluído porque a artista entendeu sua necessidade no momento atual.

Imagem: Divulgação

Poemas e a versão de luxo de “KM2”

A edição de luxo do álbum traz poesias intercaladas entre as músicas, recurso que, segundo Ebony, modifica a experiência de quem revisita o trabalho. Ela explicou que a inserção dos poemas oferece outra camada de leitura e pode fazer com que faixas antes subestimadas ganhem novos sentidos, especialmente para mulheres negras que se identificam com aquelas imagens e linguagens.





Contar histórias como forma de cura

Ebony também falou sobre a função de sua arte em transformar relatos dolorosos em narrativas menos traumáticas. Influenciada por lembranças de infância e pela tradição oral, ela disse acreditar que expor experiências difíceis é um ato de coragem e parte de um processo maior de cura — às vezes buscando amenizar a dor, outras vezes estando disposta a deixá-la explícita para que o ouvinte compreenda com precisão o que foi vivido.

Com informações de Portalpopline