O Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros em 15% na reunião de 28 de dezembro, decisão que ocorreu mesmo após as manifestações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que atribuiu parte do aumento da dívida pública às taxas elevadas de juros.
Para o economista Sérgio Belém Teixeira, formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), o BC não deve se orientar por eventuais discordâncias do ministro, pois tem um caráter técnico que prioriza o controle da inflação. “O ministro Fernando Haddad diz que o responsável pela questão da dívida são os juros, mas o BC não tem de concordar ou discordar do ministro, porque a autarquia faz um trabalho técnico”, afirmou Belém.
Segundo o economista, com a autonomia plena conferida ao Banco Central, a instituição concentra seus esforços no enfrentamento de pressões inflacionárias. “Isso significa que o principal ponto a ser perseguido pelo BC é estrutural e inflacionário. Trata-se de um problema inflacionário que o BC enfrenta de forma técnica, com o objetivo claro de acomodar a inflação”, explicou.
Apesar de reconhecer que há fundamento na crítica de Haddad ao associar a alta da dívida pública aos juros elevados, Belém avalia que essa explicação é “muito superficial”. Ele lembra que, embora haja redução pontual do endividamento, o patamar atual permanece alto e pode comprometer as metas de inflação no horizonte próximo.
BC, juros e política liberal
O economista também destacou que o debate sobre política econômica não se resume ao viés técnico do BC. “A grande questão não é se o BC se favoreceria ou exigiria uma orientação mais liberal, mas se seria beneficiado por uma política mais liberal”, ponderou. Na visão de Belém, um governo menos expansionista e intervencionista facilitaria condições macroeconômicas mais favoráveis, acelerando a trajetória de redução dos juros.
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Ele observou ainda que, de acordo com indicadores recentes, a inflação mostra sinais de arrefecimento, o que pode abrir espaço para cortes nas taxas básicas. “Parece-nos que a inflação está, sim, se acomodando, e que as condições macroeconômicas estão mais próximas para o BC iniciar os cortes de juros”, concluiu.
O BC, portanto, segue sua política de forma independente, com objetivo declarado de manter a inflação sob controle, mesmo diante de pressões políticas e críticas de integrantes do governo.
Com informações de Revistaoeste

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6