O contratenor Edson Cordeiro apresentou no dia 10 de janeiro de 2026, no Teatro Rival Petrobras, no Rio de Janeiro, o espetáculo “Edson Cordeiro canta Carmen Miranda e outros bambas”. O show foi idealizado para marcar os 70 anos da morte de Carmen Miranda (1909–1955) e traz releituras de clássicos da “Pequena notável”.
Com voz ainda expressiva e característico timbre agudo, Cordeiro evocou o espírito rompante dos sambas da época de Carmen, como “E o mundo não se acabou” (Assis Valente, 1938), “Bambo do bambu” (Patrício Teixeira e Donga, 1926) e “Como vaes você?” (Ary Barroso, 1936). A performance transmitiu a malícia e o ritmo acelerado que marcaram a cantora nos anos 1930.
O trio Gato com Fome, responsável pelos arranjos e pela percussão, reforçou a sonoridade brasileira em números como “Tico-tico no fubá” (Zequinha de Abreu, 1931). No entanto, quando Cordeiro cedeu espaço para composições autorais do trio, a apresentação perdeu parte da energia inicial.
Ao lembrar que completaria 59 anos em 9 de fevereiro, mesmo dia do aniversário de Carmen Miranda, Cordeiro destacou a resistência de sua voz, ainda que sem o alcance extraordinário dos anos 1990, período em que se firmou como fenômeno vocal.
Sem recorrer a teleprompter, o artista interpretou o samba “Recenseamento” (Assis Valente, 1940), demonstrando domínio do texto. Em seguida, executou “Camisa listrada” (Assis Valente, 1938) e a recente “Camisa de listra” (Zeca Baleiro, 2024), esta última recebida com menor impacto ao vivo.
O companheiro de Cordeiro, Oliver Bieber, entrou no repertório com uma versão em alemão de “South American Way” (Jimmy McHugh e Al Dubin, 1939). A performance, porém, não alcançou o mesmo apelo das composições centrais do espetáculo.
Após a segunda troca de figurino, o cantor retornou para “Disseram que eu voltei americanizada” (Luiz Peixoto e Vicente Paiva, 1940), reforçando a ironia dirigida aos críticos que acusavam Carmen Miranda de perder suas raízes brasileiras.
Imagem: Rodrigo Goffredo
O clima carnavalesco foi intensificado em “O samba e o tango” (Amado Régis, 1937), seguido de uma homenagem fora do conceito: o samba-enredo “Bidu Sayão e o canto de cristal”, apresentado em tributo ao autor do enredo Milton Cunha, presente na plateia.
No bloco final, marchinhas históricas ganharam vida: “Eu dei…” (Ary Barroso, 1937), “Touradas em Madrid” (João de Barro e Alberto Ribeiro, 1938) – com castanholas –, “Taí (Pra você gostar de mim)” (Joubert de Carvalho, 1930), “Balancê” (João de Barro e Alberto Ribeiro, 1937) e “Mamãe, eu quero” (Vicente Paiva e Jararaca, 1937). O cantor interagiu com o público puxando um trenzinho pela plateia.
No bis, Cordeiro encerrou com o tom mais introspectivo de “Adeus, batucada” (Synval Silva, 1935), reforçando a versatilidade ao transitar entre temas festivos e melancólicos.
O espetáculo evidenciou o talento de Edson Cordeiro ao revisitar o repertório de Carmen Miranda, mesmo que tenha perdido fôlego em alguns momentos de coautoria e participações externas.
Com informações de G1

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6